O que eu sugiro, Cris, Boss e Miguel, não é que as pessoas devem esconder as suas convicções ou, pior ainda, que têm de passar a dizer coisas em que não acreditam — para isso já temos a Conferência Episcopal Portuguesa, que declara publicamente uma coisa ao mesmo tempo que cada um dos membros que a constituem faz outra. O que eu digo é que há discursos e práticas de campanha que são contraproducentes. Gastar uma pipa de massa em t-shirts com «aqui mando eu» é, por muito que nos custe, fazer campanha pelo «Não» e, como tal, parece-me pouco sensato (desculpem-me lá o centrismo da terminologia...) basear a campanha nesse tipo de materiais e discursos, sob pena de obtermos exactamente o mesmo resultado que esse tipo de materiais e discursos deu em 98 (e não a ausência de um discurso, Boss, lamento discordar). O que está aqui em causa é as pessoas perceberem o que é uma campanha, para que serve, a quem se dirige, que objectivos pretende atingir. «Só» isso. Quanto ao resto, assino por baixo. |