Tínhamos ido ver as subsidências na zona de contacto entre o espaço antrópico e a paisagem cársica do Maciço de Sicó, como era velho hábito nosso de todos os Outonos. Lembro-me bem da tarde que estava, do sol cru, do ventro frio de Nordeste decorrente de um anticiclone com o núcleo centrado sobre as Ilhas Britânicas e o Mar do Norte, de como as minhas mãos se enregelaram por não conseguir tirar fotografias com as luvas de lã calçadas. E de como ela interrompeu abruptamente o silêncio calcário e gritou bem alto, a contravento:
— Como seria ter uma vida como a dos ramos do lódão que, mesmo despidos pelo Inverno, não almejam senão voar?
Eu fiz de conta que não ouvi porque não sabia se era para responder e porque ela sempre foi assim, um bocado parva. |