Ortolexia e preconceito
Durante muito tempo, a minha maneira de viver com o assunto foi não pensar nele. Mas não creio que consiga continuar a fazê-lo: dou por mim a sentir-me cada vez mais desconfortável com a consciência de que existe no mundo alguém que traduziu «emoticons» por «ícones expressivos». Deixei de conseguir fazer de conta que aquilo é simplesmente uma expressão ridícula que apareceu por geração espontânea ou gerada aleatoriamente por computador. Tenho acordado com alguma frequência a meio da noite a pensar «foi uma pessoa!» E eu quero conhecer essa pessoa. Quero ver se tem o hábito de esfregar as mãos uma na outra à frente do rosto enquanto fala com os outros. Quero perguntar-lhe se já mudou de profissão. Quero saber se precisa de sugestões. Em suma, quero ajudá-la.
Regionalização a quente (actualizado)
Coimbra mais uma vez esquecida, Coimbra mais uma vez ignorada. Nevou em Condeixa, nevou em Porto de Mós, nevou na Figueira da Foz, essa simpática estância balnear de 43ª categoria, mas em Coimbra nem um floco. A A1 cortada entre Leiria e Santarém por causa de um nevão em directo na TV e, em simultâneo e rigoroso exclusivo, um sol radioso a despontar em Coimbra. Enquanto aqui ouço os passarinhos a chilrear, a SIC mostra-me pessoas a fazer bonecos de neve em Évora, junto ao Templo de Diana. Em Évora! Nada me move contra Évora, antes pelo contrário, linda cidade cheia de gente com aquele sotaque maravilhoso, mas para que raio precisam aquelas pessoas de neve? Têm a sopa de cação! Têm a Capela dos Ossos! Isto, meus senhores e minhas senhoras, é uma vergonha que não pode passar em branco, como a neve.

Actualização. Numa manobra vil montada com a colaboração da comunicação social, querem agora fazer-nos acreditar que, ainda por cima, também nevou em Lisboa. Claro que nevou. Mas então podia lá nevar em Leiria e não nevar em Lisboa! Serei só eu a achar que hoje foram ultrapassados todos os limites da decência? Serei só eu a querer justiça neste país? Vejo que mais para Norte já há alguns protestos. Talvez hoje tenha sido um dia decisivo para o país. O futuro o dirá.
Manhãs hard discount
Hoje de manhã, no gymnasium que me vejo obrigado a frequentar por razões de saúde, um adolescente dos seus 17 anos, que já lá vi mais uma ou duas vezes, benzeu-se antes de começar a correr na passadeira eléctrica. Situado atrás de uma coluna de cimento pintado que foi insuficiente para o resguardar no seu momento religioso, ao benzer-se olhou em redor para ver se algum dos outros 2 utilizadores matinais daquela sala de torturas paga estava a olhar. Eu estava, ele viu que eu estava e isso provocou-lhe algum embaraço.

Agora é que vai ser impossível tirarem-me da cabeça que aquilo é um local perigoso.
Microcausas
As causas medem-se pela dimensão da mortandade que provocam (e ele há tantas maneiras de morrer), pelo estado em que ficam os vivos ou pelo saldo das duas coisas?


Match Point, de Woody Allen.
Na imagem, Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) em pleno momento de activismo.
Médio perder
Como resistir à tentação do elitismo provinciano, como, em dias como estes? Como escapar às garras do rancor, como, em tempos como este? Como desvanecer os desejos de mal, como, nesta hora funesta? Como, como, dizei-me, como? Como querer do futuro algo mais que simplesmente respirar, como, nesta época Brutal & Assassina, S.A.?


Laerte

Como permanecer livre dos maus pensamentos e não fritar ruidosamente crrch-crrch-crrch-tlac-crrch no meu próprio fel? Como não ver o meu sentimento de pertença, já de si tão débil, mortalmente ferido? Como não soluçar perante os estilhaços da minha esperança destroçada? Como não sorrir amargamente e com altivez? Como não cuspir na cara dos desavisados de quem dependo? Que será agora do nefelibata nas mãos do feroz guarda-livros? Ó.
Bom perder
Agrafados e agrafadas. Como por certo não vos há-de ter escapado, mau grado as vossas limitadas capacidades intelectuais, o Agrafo evitou envolver-se em demasia nesta miserável campanha eleitoral para a Presidência da República Portuguesa que entretanto, felizmente, terminou — a campanha, não a República Portuguesa. E o Agrafo evitou envolver-se, não porque tivesse medo de se chegar à frente, mas porque não viu qualquer interesse nessa realidade pequenina e suja que vos ocupa os dias. No entanto, não pode ser obliterado que o envolvimento do Agrafo, tendo sido pouco, foi algum, e que consistiu em breves mas contundentes manifestações de desagrado para com as candidaturas que ficaram, precisamente, nos dois primeiros lugares e que, somadas, obtiveram mais de 70% dos votos.

Não é que se dê o caso de o Agrafo ainda ter ilusões acerca da corja imunda que dá pelo nome um pouco ridículo de «eleitorado» — anda cá eleitorado, anda, tss tss tss -, mas não pode aqui deixar de manifestar algum nojo pelo desplante por ele demonstrado nesta eleição. Não é obrigação de ninguém abraçar o cinismo, a ironia de mau gosto, a pura e simples falta de educação e a absoluta ausência de qualquer proposta minimamente construtiva que caracterizam o Agrafo. Não é obrigação de ninguém pretender para o seu país e para a humanidade em geral o azedume e a corrosão estratégica. Mas teria sido obrigação de todos e de todas quantos e quantas detêm o direito de voto produzir um resultado decente, apresentável, que se pudesse mostrar às visitas.

Infelizmente, tal não se verificou. Este resultado é uma vergonha, este resultado é abominável aos olhos do Agrafo. Graças a vós, teremos agora na Presidência da República Portuguesa uma pessoa que, embora respeitável, não é, de momento, comentável pelo Agrafo, isto à luz do compromisso recentemente assumido de aqui não se escreverem palavrões. Ainda assim, e não deixando de se contar entre os derrotados por este resultado repugnante, o Agrafo não pode fugir a partilhar convosco a convicção profunda e fétida de que a sua ausência de projecto, a sua estagnação, a sua incapacidade de mobilização e a sua improdutividade renitente têm pernas para ficar paradas a olhar e a mandar bocas foleiras a quem, melhor ou pior, dá o que pode pelo progresso e não sei quê. Para o bem e, principalmente, para o mal, o Agrafo aqui estará e contará convosco da mesma forma que vós nunca podereis contar com Ele. Obrigado.
XXX
«Puque é que não tens amiga?» não é só uma pergunta infantil, é um programa.
O Inspector Rousseau no Hotel Solimar ***
Não escondem o passado, aqueles olhos castanhos, e isso torna-os ainda mais belos. Mostram sem pudor os mares por que passaram, as terras em que viveram, as paixões em que se perderam. São olhos com história e o Inspector Rousseau não consegue desprender-se de tudo o que eles têm para contar, não é capaz de deixar de os fitar bem fundo numa quase súplica silenciosa. Não consegue evitar alguma comoção que lhe inquina a cabeça com pensamentos que não poderá nunca confessar. Se ao menos aqueles olhos falassem, se ao menos pudessem dizer por que estão ali, no chão do átrio do Hotel Solimar, separados um do outro por dois metros de soalho salpicado com sangue e restos de massa encefálica.
Operação «Tecla Limpa»
Começa hoje, e acaba quando me apetecer, a Operação «Tecla Limpa» neste blog. A utilização repetida, embora não frequente, de algum calão teve o resultado não completamente previsto de atrair aqui o mau elemento em grandes quantidades. A lista das frases de busca que, nas últimas semanas, trouxeram a este sítio sabe Deus Nosso Senhor que criaturas é assustadora.* Amarfanham-se-me as vísceras só de imaginar os monstros que por aqui passam todos os dias, a teclar com a mão encardida enquanto se coçam com a mão besuntada (ou vice-versa), em busca de coisas as mais indizíveis — e abomináveis aos olhos do Senhor, mas essa é a parte boa.

Enxotar esta súcia do meu estaminé tornou-se a prioridade número 1 na minha vida. Eu não quero que o meu blog ganhe nome como sítio mal frequentado, até porque para isso já basta o autor. Por isso, lamento, mas acabaram-se os palavrões por tempo indeterminado. A partir de agora, quem quiser palavrões terá de ir a outro sítio qualquer. E sítios quaisquer é o que não falta para aí.

* A divulgação com fins exclusivamente pedagógicos dessa lista está a ser ponderada com a gravidade que se impõe.
Garganta larga
Convém não alimentar a esperança de que haja beijo capaz de o transformar num príncipe ou noutra coisa qualquer: é um sapo, um grande sapo, e continuará a ser um sapo. Está para ali há uns meses com aquela expressão de dignidade resignada tão característica dos sapos. Apesar disso, apesar do estranho respeito que inspira, não deixa de ser um animal profundamente repugnante, qualidade ainda mais evidenciada pelo seu tamanho descomunal. Julgo que não é normal os sapos atingirem aquele porte – eu, que estou habituado a sapos, nunca tinha visto nada assim. E coaxa, rouqueja, ronca que se farta. Volta e meia dá-lhe para a barulheira e não há quem o cale. Mas o meu problema é mesmo com o tamanho: não sei como é que vou conseguir engolir aquilo no próximo Domingo.
Digestão lenta
Só agora vejo que demorei uma quantidade indesculpável de tempo neoliberal a perceber que este blog não só tem alguma piada como tem, acima de tudo, muita graça.

Ou será ao contrário?
Vida & obra
Foi também no início desse ano que descobriu que o poder das manifestações de desinteresse era incomensuravelmente superior ao da simples ausência de manifestações de interesse. Se estas permitiam um grau de irresponsabilidade até então inédito, nunca chegavam para afastar completamente o perigo de intrusão no casulo emocional a que, progressivamente, ia limitando o seu quotidiano. As experiências com as manifestações de desinteresse começaram, assim, imediatamente após a sua descoberta, sem o recurso a uma fase de testes.

Os bons resultados obtidos com as primeiras aplicações criaram-lhe a certeza de ser aquele o caminho certo e vários interesses colaterais foram impiedosamente abatidos ao efectivo. Anos mais tarde, e embora nunca admitindo ter caído no ridículo que tanto abominava, viria a lamentar o voluntarismo com que tinha descartado tantas fontes de diversidade não sujeitas a controlo prévio, referindo-se, entre outros, ao famoso caso em que convidou uma pessoa para lanchar com o único objectivo de lhe demonstrar de forma ostensiva que não se interessava por ela.
(l'infini est partout l'infini est partout l'infini est partout l'infini est partout)


dans la theorie de la perspective le point de fuite est l'infini et le spectateur est un point immobile en dehors du tableau

Si l'infini est Dieu, nous ne nous rejoindrons jamais, mais si la perspective est inversé alors

l'infini est partout l'infini est partout l'infini est partout l'infini est partout

et le spectateur est maintenant en mouvement

[est-ce mieux théologiquement?]



David Hockney, «Vogue par David Hockney»
Vogue (Paris), no. 662 (Dezembro 1985/Janeiro 1986), p. 232


P.S. - Ceci n'est pas (seulement) une provocation.
Intel outside
Trabalhar, trabalhar, trabalhar, só me fala em trabalhar. Mas você pensa que eu não tenho mais nada que fazer a não ser trabalhar?!
Da mini-saia que abunda à seiva que fecunda
Não se dá prémio a quem adivinhar o autor dos seguintes trechos porque a solução vem em letras pequeninas no final:

Há pessoas que andam, ainda, descalças, incluindo crianças. A mini-saia abunda nas jovens. O pardais, as pombas e outro pássaro que não soubemos o nome, foram as aves, além da galinha, que vimos. A diferença horária é de uma hora, embora, na nossa opinião, devesse ser de hora e meia. A prostituição existe, conforme tivemos oportunidade de ver (de dia e de noite). O peixe abunda e de várias espécies.

---

Desde criança que mergulhamos o pensamento no fantástico mundo dos sonhos, buscando a cada momento traduzir o sonho na realidade que desejamos. Um pai extremoso, devoto da leitura, conversador dos mais diferentes assuntos, contagiou-nos, positivamente, na descoberta de nós e dos outros. Um professor das primeira letras guiou os nossos «passos» na aprendizagem dos símbolos, dos fonemas, da sintaxe, de matérias «sonhadoras», desenvolvendo uma matriz intelectual, ávida de abraçar um universo que parecia insondável. E, da conjugação destes valores nasceu um sonho que, diariamente, nos acompanha. Por isso, a felicidade invade-nos, diferentemente, quando concentramos as fímbrias mais íntimas do nosso «ego» e conduzimos do cérebro à mão a seiva que vai fecundar o grandioso mundo do legível.
Solução em letras pequeninas no final: Mário Nunes, vereador da cultura da Câmara Municipal de Coimbra (no primeiro trecho, o da hora e meia, refere-se a Cabo Verde). Estas e muitas outras pérolas disponíveis aqui.
Importante para a sôtora
– Chamou, sôtora?
– Sim, Clarice, entre e feche a porta. Chamei-a porque...
– Sim, sôtora?
– Bem, chamei-a porque queria dizer-lhe que o engenheiro Borba, do marketing, sabe?...
– Claro, sôtora, então...
– Prontch. Queria dizer-lhe que o engenheiro Borba se tornou uma pessoa muito importante para mim nos últimos tempos e eu quero que ele passe a ser tratado ao nível de um membro do conselho de administração.
– Com certeza, sôtora.
– Quando ele me ligar, interrompa-me, seja qual for a circunstância.
– Sim, sôtora.
– E queria ainda pedir-lhe um favor, Clarice.
– Diga, sôtora.
– Discretamente, sem grandes alaridos, espalhe pela empresa que o engenheiro Borba é uma pessoa importante para mim. Muito importante. É bom que as pessoas comecem a habituar-se a essa ideia e que passem a agir em conformidade.
– Claro, sôtora.
– Não sei se percebeu Clarice...
– Percebi sim, sôtora.
– Quero eu dizer... Se percebeu o que eu quero dizer quando digo que o engenheiro Borba é uma pessoa muito importante para mim. Está a perceber o que isso quer dizer, não está, Clarice?
– Estou sim, sôtora.
– Prontch, era só para ter a certeza. É que nunca se sabe, às vezes podia não perceber e eu queria evitar confusões, mal-entendidos. O engenheiro Borba é uma pessoa importante, ou seja...
– ...
– Ou seja, é uma pessoa especial para mim. Mas quando contar isto aos restantes colaboradores da empresa não vale a pena entrar em pormenores.
– Claro, sôtora.
– Tipo que nos andamos a comer depois do horário de expediente no elevador da ala Oeste.
– Pois... sôtora...
– Para cima, para baixo, para cima, para baixo. Prontch. Importante para a sôtora deve chegar para as pessoas perceberem. Pode retirar-se, Clarice.
– Sim. Com licença...
– Para cima, para baixo, para cima, para baixo...
– ...sôtora.

(Nota: este diálogo foi inspirado por outro ouvido há dias numa telenovela brasileira que eu não consigo identificar).
Desta para melhor
Era tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, tão ingénuo, mas tão ingénuo que pensava que promover a «cultura da morte» era andar por aí a dizer que quem adorar a imagem de um cadáver ensanguentado pregado a uma cruz terá uma vida muito melhor depois de morrer.
A metempsicose do gato Voltaire
Acontece que o Inspector Rousseau foi um gato chamado Voltaire numa vida passada. Um gato antracite de olhos amarelos hipnóticos, gordo e ronronante, que se passeava calmamente ao ritmo do sol no andar ocupado pelo estúdio de um mestre pintor no centro de Bolonha. Os seus melhores tempos foram passados de barriga para o ar no enorme tapete feito com a pele de um seu primo afastado enquanto uma das 3 pessoas à face da terra que estavam autorizadas a tocar-lhe sem o risco de desfiguração imediata lhe fazia festas na barriga com as pontas dos dedos. Aparte um longo miado ocasional que percorria melancolicamente os corredores em busca de variedade alimentar, não era animal para procurar interacções desnecessárias e o seu desaparecimento, em idade ignota mas seguramente respeitável, foi sentido pelo dono e frequentadores habituais do estúdio com desgosto suportável. Aos vários quadros que deveriam imortalizá-lo, perdeu-se o rasto.

Acontece que aquele desgraçado que corre pela rua abaixo sob a mira do Inspector Rousseau, para além de ser procurado pela polícia pela ingestão com demasiado sal de três freiras carmelitas descalças conhecidas nos meios artisticos underground da cidade como Swinging Sisters, foi um rato numa vida passada.

Acontece que há coisas que, mais tarde ou mais cedo, têm de acontecer.
A noite do caçador
Os meus melhores sonhos não incluíam, para hoje à noite, o candidato-poeta Manuel Alegre a dar boa parte da sua entrevista alargada ao Jornal da Noite da SIC de espingarda ao ombro.


Imagens do Jornal da Noite da SIC, 04-01-2005

Falou da sua grande paixão pela Académica enquanto afagava sensualmente o cano da arma, expôs a sua grande paixão pelo Benfica enquanto ajeitava a arma ao ombro, explicou como se comove com a sua grande paixão, a Selecção Nacional, no intervalo entre uns tirinhos aos pratos. Admitiu que já deve ter insultado alguns árbitros no calor do momento, mas ficou por esclarecer se já alguma vez disparou sobre algum. Note-se, em segundo plano na foto superior direita, a presença do treinador de tiro de Manuel Alegre em amena cavaqueira (no pun intended) com o filho do candidato, que, ao que parece, também tem uma pontaria que só visto.

Também há-de ter falado sobre outras coisas igualmente ou porventura ainda mais interessantes, como a pátria e a sua vocação para a poesia, mas eu estava, em simultâneo, ocupado a rir, a tirar estas fotos e a falar ao telefone. Como o multitasking tem limites, aquilo que me pareceu menos relevante – as declarações do candidato – passou-me ao lado. Pelo facto as nossas amarguradas desculpas.
1982
Atravessei a estrada sem grandes cuidados e procurei um sítio onde a vala que corria ao longo dela fosse suficientemente estreita para a conseguir transpor com um salto seco e sem riscos. Comecei a correr pelo monte acima, incansável, empurrado pela expectativa do que a altitude tornaria visível. Eu conhecia bem o território e sabia que nada mais traria aquela empresa tão fugaz que uma simples mudança de perspectiva, mas ainda tinha aguçada e quase virgem a capacidade para viver ao ritmo das supra-renais.

(E ainda continua a ser uma surpresa o que a distância traz aos olhos como sendo liso mas que para os pés se torna depois irregular).
2006
Estou mortinho por comprar um kazoo. Só para usar de vez em quando. Muito de vez em quando. Até porque pode tornar-se incomodativo, para mim e para os outros. Mas não quero ir a uma loja de instrumentos musicais e perguntar se vendem kazoos porque tenho medo que me batam. E porque tenho uma reputação a manter. Por acaso não tenho, mas faz de conta. Mas também não quero mandar vir pela net porque gostava de sentir o objecto antes de o comprar. E também não pode ser caro que, as minhas finanças estão sub-óptimas. Sub-sub-óptimas.

E não pode ser de plástico porque é foleiro e o camp por incapacidade de fazer melhor não é a minha onda. Sem ser por incapacidade de fazer melhor também não, mas por incapacidade de fazer melhor é mesmo triste. Tem de ser de metal. Lindo. Prateado, de preferência. Se calhar em madeira também os há engraçadotes. Mas devem ser mais caros. E eu prefiro em metal. Tem mais a ver comigo. Pede-se a quem saiba, a quem ajude, a quem me possa socorrer nesta ocasião de desespero que diga alguma coisa. Obrigado.
2106
início
Arquivo
Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 . Junho 2006 . Julho 2006 . Agosto 2006 . Setembro 2006 . Outubro 2006 . Novembro 2006 . Dezembro 2006 . Janeiro 2007 . Fevereiro 2007 . Março 2007 . Abril 2007 . Maio 2007 . Junho 2007 . Julho 2007 . Agosto 2007 . Setembro 2007 . Outubro 2007 . Novembro 2007 . Dezembro 2007 . Janeiro 2008 . Fevereiro 2008 . Março 2008 . Abril 2008 . Maio 2008 .
Leituras
abrupto . um amigo pop . ana de amsterdam . arrastão . avatares de um desejo
azeite&azia . bandeira ao vento . um blog sobre kleist . b-site
a causa foi modificada . como por acaso . confraria do atum . o crime de laio
da literatura . dias com árvores . estado civil . ex-ivan nunes . fotocafe
individualismo solidário . irmaolucia . jeff harris . lilás com gengibre . linha dos nodos
margens de erro . naked sniper . a natureza do mal . pastoral portuguesa . polaris
postsecret . renas e veados . solvstäg . sombras errantes . os tempos que correm
a terceira noite . valkirio . welcome to elsinore . yesterday man
   
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Creative Commons License