Valores mais altos
É com incomensurável e arrebatador prazer que aqui apresento o oitavo d'Os Dez Mandamentos (Êxodo 20,2-17 e Deuteronómio 5,6-21) segundo a Fórmula da Catequese da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), que dedico aos vários membros da sua hierarquia terrena e respectivos acólitos laicos, mais ou menos assumidos, que têm andado por estes dias um pouco esquecidos daquilo que supostamente os move nesta sua breve passagem pelo mundo: «Oitavo: Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo).»

Dirão os atingidos por este meu lembrete que estão a desrespeitar este mandamento em ordem a forçar outros (e, especialmente, outras) ao respeito do quinto mandamento — «Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo» — independentemente da sua vontade. Desconheço a existência de alguma ordem superior que permita este tipo de negociata com os princípios que alegadamente regem a aliança entre os seres humanos e o seu demiurgo psicótico, mas, a existir, essa directiva coloca alguns problemas que a atitude dos «Nãos religiosos» transforma em perigoso precedente. Exemplifico: se, inversamente, fosse agora entendido como legítimo desrespeitar o quinto mandamento como forma de forçar o respeito pelo oitavo, digamos que era capaz de não sobrar muita gente dos movimentos pelo «Não» para contar a história, quanto mais para irem votar no dia 11 de Fevreiro. O que vale é que do lado do «Sim» a argumentação é mais humana...

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Para pessoas distraídas: está em funcionamento há já algum tempo um superblog[ue] pelo «Sim», que é de consulta obrigatória; um grupo de portugueses em Barcelona resolveu juntar-se e dar uma ajuda aos que não têm a sorte de lá estar (ai, e ainda por cima com uma foto da minha Plaça de Catalunya e tudo, *snif*); Francisco Louçã, embora rumorejante como de costume, responde bem ao vídeo mentiroso do Professor Marcelo. Agora vejam lá a vossa vida.
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