Creio que chegou finalmente a hora de fundar a Associação das Vítimas Inocentes da Portugal Telecom e Suas Metástases (AVIPTSM). Associações de defesa dos direitos dos consumidores em termos genéricos já não chegam para a luta sem tréguas que é preciso travar quotidianamente para se conseguir ter a esperança de um dia vir a gozar de uma vida pacata, despreocupada, de centro-esquerda. Se há situação em que a paz deverá ser conquistada pelo recurso à guerra, é esta.
Por «Vítimas Inocentes da Portugal Telecom e Suas Metástases» entendo, naturalmente, aquelas pessoas que, independentemente das suas pertenças, posicionamentos e orientações, tenham visto as suas vidas profunda e negativamente afectadas pela Portugal Telecom e Suas Metástases (Sapo, Telepac, TVCabo...) sem que para isso se tenham posto a jeito. Ou seja, estarão automaticamente excluídas da AVIPSTM todas aquelas pessoas que viram as suas vidas dilaceradas pela Portugal Telecom e Suas Metástases enquanto eram suas clientes voluntárias. Só quem é cliente porque não tem outro remédio (na zona onde vive não há mais ninguém a fornecer os serviços em causa, por exemplo) e quem não é cliente do monstro mas é cliente de uma empresa que é cliente do monstro (a rede de cobre é toda deles, pelo que não é difícil isso acontecer) é que poderá ser associado.
Somos, estou certo, muitos milhares, talvez até mesmo milhões. E temos de começar a agir já, se queremos resultados – esperar, como o demonstram as últimas décadas, não chega. E a melhor maneira de começar é organizando um evento que o mundo jamais esquecerá. Assim, para iniciativa de lançamento proponho um suicídio colectivo de proporções nunca vistas. É uma coisa barata, fácil de organizar e que, se for feita em Lisboa, tem a garantia de cobertura mediática ad nauseam. A ideia é juntar vários milhares de vítimas e fazer uma espécie de flash mob, mas em que os participantes, em vez de desaparecerem ao fim de uns segundos, morrem ao fim de alguns segundos. De preferência com algum espalhafato. Tipo com gritos e montes de sangue e assim. Depois, o resto, logo se vê. |