Mal começa a aproximar-se a Páscoa e vêm-me logo à memória os nossos breves dias em Veneza, a Aveiro do Adriático, faz agora precisamente 10 anos. Estive o tempo todo a ressacar do Seconal, e por isso não me lembro de muito mais que da infestação de algas fedorentas, do cagalhão de pomba no affrogato al caffè, do carinho com que, infatigável, me limpavas a baba dos cantos da boca. Mas do que não consigo esquecer-me por mais que tente é dos sentimentos, e é isso que me gela. Nada me indispõe tanto com a passagem do tempo como a recordação de sentimentos mortos por pessoas que tiveram a desfaçatez de permanecer vivas. |