Fui à Feira do Livro (de Coimbra) e não comprei nada. É o primeiro ano em que me acontece isto. E não fui lá apenas uma vez, de fugida, tenho lá passado quase todos os dias desde que abriu. Fica perto de minha casa e do ciber-sem-café a que a Portugal Telecom, do alto da sua infinita competência, me remeteu. Não fica em caminho, mas é como se ficasse. E então vagueio por lá durante uns quartos de hora a achar que os esoterismos às claras e às escuras ocupam uma percentagem cada vez maior do espaço disponível.
Até comprava aquele do Boris Vian, que li há uns bons 10 ou 15 anos, não o tenho e gostava de o reler, mas não estou com finanças para comprar livros que já li. Como se uma coisa tivesse que ver com a outra, como se gastar dinheiro em livros lidos fosse pior que gastar dinheiro em livros por ler. Os lidos ao menos são valores seguros. E a edição é outra, a tradução provavelmente também. A verdade é que esta tem pior aspecto. Graficamente, que do resto no tengo ni la mas puta idea.
Peguei-lhe, reparei que a capa, horrenda, já tem um vinco devido a mau manuseamento. Provavelmente têm outros exemplares em melhor estado metidos no caixote ou na estante. Seja como for estou teso, aparte outras considerações. Mas até levantei dinheiro de propósito para ir lá. Não creio que a maior parte das bancas tenha multibanco e então levantei uma pipa de massa de propósito para ir lá. E fiz por não gastar esse dinheiro noutras coisas, ao longo de todos estes dias em que não tenho ido lá comprar nada. |