O Mestre da Arte de Fazer o Dobro Parecendo Que Faz Metade (em apenas uma lição) abre a sua capa negra e lança-se do edifício mais alto da cidade. O edifício mais alto da cidade não é assim tão alto. É o mal das cidades de província: não têm condições para ter super-heróis em condições de serem super-heróis. Por isso é que eles (e também elas) se mudam para outras paragens e nós ficamos para aqui a nadar como se fôssemos nada. Womanhattan evacuada para que a Rata Míquei possa lá fazer o seu jóguingue matinal em paz. Em paz. Pós-guerra. Por exemplo.
Mas ele abre a capa negra e lança-se indiferente a tudo. É assim o verdadeiro super-herói, pensa na sua missão, nos que lhe compete salvar, nunca na fama e no reconhecimento. No numerário. Aprendizagem-erro-aprendizagem. Aprendizagem-erro. Aprendizagem. Xixi-cama. Creutzfeldt-Jakob. Ao arrepio das autoridades, das sondagens, dos analistas, das propriedades, das vadiagens, dos chantagistas. Os males dele hão-de ser, por esta ordem, o colesterol, as companhias de seguros e o medo das alturas, pobre Mestre da Arte de Fazer o Dobro Parecendo Que Faz Metade (em apenas uma lição). |