Nunca tiveste uns olhos belos, embora eu já tenha afirmado o contrário, com a sinceridade dos amantes. Os teus olhos valiam pela expressão carnívora que sempre lançavam a tudo, como o olhar de um gato a algo pequeno que se mexe rapidamente num canto distante, mas acessível. Tudo era acessível. Nesta foto que me enviaram por engano (ou que roubei sem grande alento, já não consigo distinguir) o teu olhar resvala pela lente da câmara como as gotas de chuva por uma gabardine nova. Não há propriamente uma expressão, como parece que é teu hábito, agora. Dantes havia expressão, agora há missão. Isso sim, é uma escolha. |