200 Km
O pensamento político daquele senhor que é líder do PNR, e cujo nome voltei a não conseguir fixar, é demasiado sofisticado para a minha pobre e gasta cabeça e não é com debatezecos a 12 «moderados» pela Dra. Fátima Campos Ferreira que vamos lá.

Não atingi completamente as questões da «promoção da homossexualidade», dos «candidatos do sistema» e dos «pobrezinhos de mão estendida que têm um BMW à porta», bem como a forma como todas estas questões, seguramente, se concatenam. Por exemplo: os pobrezinhos estendem a mão para fora da janela do BMW ou estendem a mão quando estão fora do BMW? E será o mesmo BMW para os pobrezinhos todos ou terão cada um o seu BMW? No caso de ser um para todos, isso quer dizer que a porta a que se refere também é só uma, concluindo-se daí que os pobrezinhos vivem todos no mesmo sítio, à molhada? Será daí, dessa abominável promiscuidade, que se alimenta o lóbi guei?

No caso de não ser só um BMW, será que são mesmo todos BMWius? Não haverá uns Audis e uns Mercedes, uns Lexus e uns Volvos? Ou essas marcas estão reservadas aos candidatos do sistema? E de que ano são os BMWius? É que não é bem a mesma coisa ter um BMW série 5 de 2007 ou um BMW série 3 de 1977. Eu, por exemplo, sou o extático proprietário de um carro com uma pinta do camandro (embora não seja de nenhuma das marcas supra) que foi comprado, já velho e em 2ª mão, por dez reis de mel coado. Admito que o aveludado daquele imenso banco traseiro e o fausto dos apliques em imitação de raiz de nogueira me colocam quase automaticamente no lóbi guei, mas deverei fazer algo para não ser confundido com um pobrezinho militante de um partido do sistema? Ou o facto de morar a 200 Km de Lisboa torna tudo isto irrelevante?

Eu, como muitos dos meus concidadãos e concidadãs, lisboetas e não lisboetas, gostaria de ter visto estas questões aprofundadas em vez de passar uma noite a ouvir falar da porcaria do aeroporto e das dívidas astronómicas da autarquia. Mais uma vez o serviço público de televisão falhou.

De resto, que eu tenha notado, não se passou nada de especialmente interessante, a não ser talvez aquele momento, apenas visível no canto da imagem, já mesmo no fim da emissão, em que uns senhores de bata branca deram uma injecção subcutânea ao Dr. Manuel Monteiro e o levaram para um local belo e pacífico onde uma pessoas de voz doce e pausada lhe garantirão que o CDS já não existe e que o Dr. Paulo Portas foi apenas o produto de uma experiência mal sucedida do KGB. Uma nota final para o Dr. António Costa: o cinzento claro não lhe fica nada bem. Outra para o Dr. Garcia Pereira: já chega. Acho que é tudo.
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