Estava a sentir-me ridículo como um daqueles pierrots de roupa aos quadrados coloridos e lágrima ao canto do olho, mas sem a roupa aos quadrados coloridos e a lágrima ao canto do olho. Enquanto me ria das piadas, da ironia e da incongruência que os convivas tão docemente dispensavam, os meus pensamentos moviam-se entre encher-lhes o espumoso de perdigotos misturados com alguns poetas portugueses contemporâneos e arrancar o meu próprio sexo com as minhas próprias mãos a meio do evento pelo qual tinha dado tantas das minhas próprias excreções. Ainda estive nisto durante uns minutos, a esforçar-me por recuperar alguma informação útil para a primeira opção através de mnemónicas ineficazes e a tentar desencantar o despojamento necessário à execução da última. Quando finalmente percebi que não ia conseguir fazer nada, nem sequer chorar, resolvi acalmar-me e aproveitar o tempo para apostar na minha formação. |