Ontem sonhei que tinha sido abordado à entrada do meu prédio por dois elders. Eram iguais a todos os outros que por aí andam mas com um sotaque vagamente compreensível. A minha primeira tentação foi perguntar-lhes se não achavam que sou escuro demais para ter de aturar o proselitismo da sua religiãozinha patética, racista e misógina. Mas não tinha ainda conseguido proferir a primeira palavra da minha diatribe quando no meu espírito surgiu (misteriosamente?) a ideia de que aqueles jovens mais não eram, afinal, que duas pobres criaturas ingénuas e insuficientemente pigmentadas com que não valia a pena ser grosseiro, pelo que me limitei a partir-lhes as fuças com um saco do Pingo Doce cheio de leguminosas enlatadas da Ferbar. Eram principalmente embalagens de 420g de grão-de-bico, mas talvez também lá estivesse alguma de feijão frade, não posso garantir, os meus sonhos nunca são muito definidos. E nesse momento acordei, zonzo, um pouco suado e, confesso, excessivamente bem disposto. Em suma, acho que eu e o Zolpidem não fomos feitos um para o outro. |