O corpo só parece acordar quando se sujeita ao contraste — nas costas o calor do dia que ainda ocupa a casa, no peito a nortada nocturna que a quer invadir; no rosto o absurdo do edificado riscado pelo voo luminoso das traças incapazes de sentido. Acorda e consegue reter os pensamentos sobre a ancestralidade de tudo o que se lhe apresenta, mas não consegue desviar-se da estreiteza de tudo aquilo com que nunca será presenteado. Verão é uma palavra demasiado optimista para este condensador de memórias do abuso, de maus auspícios. Estio. Estio é melhor.
Albrecht Dürer, Asa de um rolieiro, 1512 |