Encantos da cidade
Talvez não me tenha explicado bem. Há, na baixa de Coimbra, um prédio decrépito que tem uma fachada, que dá para uma viela escura e malcheirosa. Há vários. Se há coisa em que a baixa de Coimbra é fértil é em prédios decrépitos e em vielas escuras e malcheirosas. O binómio prédios decrépitos – vielas malcheirosas é um dos encantos da cidade. Isso e, pelo que ouço dizer, os estudantes, mas não em Agosto. E o túmulo de D. Afonso Henriques, meu vizinho todo o ano. Adiante.

A fachada que dá para a viela malcheirosa está, em boa medida, coberta de ferrugem proveniente da tubagem metálica que faz as vezes de chaminé de um restaurante pouco recomendável que há no rés-do-chão. Almoços para trabalhadores do comércio, jantares para grupos dos tais estudantes embriagados, mas não em Agosto. Janelas, a fachada não tem, apenas dois orifícios rectangulares que iluminam, provavelmente, as escadas do prédio. A ferrugem mistura-se progressivamente, nas zonas mais afastadas do calor irradiado pelos tubos de metal, com as consequências orgânicas da humidade. É uma viela estreita e escura e Coimbra é uma cidade húmida, com um Inverno enganador. É um dos encantos da cidade. Como a lenda de Pedro & Inês. E a daquela senhora mal casada que transformava comida em flores. Adiante.

Esta mistura de ferrugem e humidade que cobre quase completamente a fachada do prédio decrépito que dá para a viela malcheirosa (e escura) tem umas marcas, dez marcas, em dois grupos de cinco, que começam logo abaixo do telhado e vêm a direito até cerca de 2 metros do chão. Dir-se-ia que são marcas de garras, que alguém com umas garras bem desenvolvidas desceu pela parede do prédio da segunda pior maneira possível. Se acham a ideia assustadora, haviam de ver aquilo ao vivo. Se não fosse ser uma viela escura e estreita, ia lá e tirava uma fotografia. É uma questão de ângulos, de luz, de opções estéticas. O que interessa: não sei quem terá feito aquilo, mas não fui eu. Espero que agora tenha dado para perceber melhor.
início
Arquivo
Outubro 2004 . Novembro 2004 . Dezembro 2004 . Janeiro 2005 . Fevereiro 2005 . Março 2005 . Abril 2005 . Maio 2005 . Junho 2005 . Julho 2005 . Agosto 2005 . Setembro 2005 . Outubro 2005 . Novembro 2005 . Dezembro 2005 . Janeiro 2006 . Fevereiro 2006 . Março 2006 . Abril 2006 . Maio 2006 . Junho 2006 . Julho 2006 . Agosto 2006 . Setembro 2006 . Outubro 2006 . Novembro 2006 . Dezembro 2006 . Janeiro 2007 . Fevereiro 2007 . Março 2007 . Abril 2007 . Maio 2007 . Junho 2007 . Julho 2007 . Agosto 2007 . Setembro 2007 . Outubro 2007 . Novembro 2007 . Dezembro 2007 . Janeiro 2008 . Fevereiro 2008 . Março 2008 . Abril 2008 . Maio 2008 .
Leituras
abrupto . um amigo pop . ana de amsterdam . arrastão . avatares de um desejo
azeite&azia . bandeira ao vento . um blog sobre kleist . b-site
a causa foi modificada . como por acaso . confraria do atum . o crime de laio
da literatura . dias com árvores . estado civil . ex-ivan nunes . fotocafe
individualismo solidário . irmaolucia . jeff harris . lilás com gengibre . linha dos nodos
margens de erro . naked sniper . a natureza do mal . pastoral portuguesa . polaris
postsecret . renas e veados . solvstäg . sombras errantes . os tempos que correm
a terceira noite . valkirio . welcome to elsinore . yesterday man
   
This page is powered by Blogger. Isn't yours? Creative Commons License