Ingredientes (para 4 pessoas):
– 800g de feijão frade cozido; – 1 cebola grande; – 1 beterraba cozida; – 100g de alcaparras em conserva (por alcaparra deve entender-se o botão da planta Capparis spinosa e não a azeitona com o caroço substituído por pimento, que por vezes também é conhecida por esse nome); – 200g de tomate cereja; – 1 pepino grande; – 1 endívia; – 1/4 pimento verde; – coentros a gosto; – azeite a gosto (alentejano, frutado); – vinagre de cidra a gosto.
Enfie a Sinfonia da Requiem de Benjamin Britten no leitor de MP3 e ponha o volume muito alto. A gravação dirigida pelo próprio compositor, à frente da New Philarmonia Orchestra e editada pela Decca é mais choramingona e, portanto, apropriada para pratos sem sangue, como é o caso. Mesmo assim, se for demais para si, ouça qualquer coisa mais bucólica. Não tenho sugestões, faça como entender, não quero saber.
Vá para a cozinha e pegue na faca, que é o único utensílio de que precisará. Regozije-se brevemente com esse facto. Pronto, já chega. Corte a beterraba em cubinhos. Corte a cebola em cubinhos. Corte o quarto de pimento em cubinhos. Descasque o pepino e corte-o em quartos de rodela. Corte os tomates (cereja) em hemisférios. Pique a endívia e os coentros. Descanse um bocadinho. Atire tudo isto e o resto para dentro de uma saladeira. Convém que este momento coincida com o final do segundo andamento, «Dies Irae: Allegro con fuoco». Vai ver que não é difícil, embora talvez requeira um ensaio prévio. Misture tudo. Sirva a salada bem fria. Coma. Vai fazer-lhe bem. Acompanhe com cerveja. Loura. Gelada. Muita. Que talvez lhe faça mal, mas é assim a vida. |