«(...) Eis o vencedor. O seu nome: Horatius. Eis o assassino. O seu nome: Horatius. Há muitos homens num só. Um venceu por Roma num combate à espada. Um outro matou a irmã Sem necessidade. A cada um o que lhe é devido. Ao vencedor os louros. Ao assassino o machado. (...)»
Heiner Müller, «O Horácio» [trad. de Anabela Mendes para A Escola da Noite]
O Santana Lopes teve toda a razão na sua questiúncula com os beleguins da SIC-Notícias e isso, surpreendentemente, está-lhe a ser geralmente reconhecido. Contrastes. A ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga foi muito bem posta no olho da rua. O Mourinho é de um ridículo atroz, quase doloroso, que me obriga a mudar de canal de televisão para escapar ao sentimento de vergonha emprestada que me provoca – e não é por causa da pronúncia de inglês. Nada disto invalida que Santana Lopes seja um irresponsável, que a ex-directora do Museu Nacional de Arte Antiga seja muito competente ou que o Mourinho seja um treinador genial. Eu é que tinha esperança que as nossas elites (vai sem aspas) não se comportassem como os habitantes dos bairros sociais de Gondomar, que vão para a porta do tribunal berrar que o senhor major não devia ser julgado por suspeitas de corrupção no futebol porque foi ele quem lhes deu a casinha. Mas eu e a esperança temos uma longa e difícil relação que um dia destes ainda vai acabar mal. |