O Verão nunca existiu, o Verão é (foi) uma ilusão dos sentidos, o Verão. Quem tinha razão sobre o Verão e não só era o outro — what's his name? — que também explica as razões de a minha vontade — tão pequena, minúscula, microscópica — não ser visível, não existir, ainda. Já.
Merche Romero crítica os jogadores de futebol: "Não procuram o amor verdadeiro mas sim a fotografia". O facto de eu, perante isto, não conseguir pensar senão em questões relacionadas com a amostra faz de mim uma pessoa irremediavelmente deformada, uma pessoa irredimivelmente porca ou, melhor ainda, as duas coisas? (A ausência da hipóteses «nenhuma das duas» não se deve a esquecimento).
Estes dias fizeram-me perceber que não estamos condenados a magoar aqueles que amamos — estamos condenados a magoar aqueles que nos amam, e que os que nos amam ficam magoados unicamente porque nos amam — ou seja, fazem-no a eles próprios, nós não temos nada com isso e não devemos sentir-nos mal com o alívio que daí nos pode advir. As pessoas que gostam mais de receber que de dar são essenciais para que o mundo não caia numa crise de frustração generalizada, para que este estado de contentamento generalizado em que vivemos se mantenha. Ser um monstro de egoísmo não é um defeito, é um serviço público. |