A culpa é toda da tramontana. Eu sou a prova viva (por enquanto) de que tudo o que sempre se disse da tramontana é verdade. Existe a questão cronológica — alguns dos meus problemas precedem o contacto prolongado com a tramontana, mas estou certo de que há maneira de fazer com que essa aparente contradição não prejudique a teoria no seu todo. Agradeço sugestões.
Agora me lembro que o Gabriel García Márquez escreveu qualquer coisa em que a tramontana desempenhava um papel essencial. Um conto, provavelmente, não sei, já foi há muito tempo, num tempo diverso do actual em que a leitura de Gabriel García Márquez era obrigatória mas em que, por exemplo, não se podia ler Ian McEwan. Um colega meu até levou uma tareia por ter sido apanhado a ler o O Jardim de Cimento no terminal da rodoviária de Vila Nova de Poiares, que à época era bastante frequentado por realistas mágicos. A ver se, um dia que regresse, tiro da estante os livros do Márquez e lá volto a colocar os do McEwan. Havia um que tinha uma lombada verde que ia mesmo bem com o pinho-mel da sala. |