Todos os anos chegam mais quatro ou cinco maluquinhos, seis ou sete nos anos bons. Começam por tomar café sozinhos, almoçar sozinhos, vaguear sozinhos pela cidade. Passadas algumas semanas, poucos meses no máximo, juntam-se aos maluqinhos que já cá estavam. Quem escreveu sobre isto de as pessoas se encontrarem desta maneira, sendo maluquinhas ou não, foi o Bernardo Soares. Ou outro maluquinho qualquer.
Todos os anos se vão embora quatro ou cinco maluquinhos, seis ou sete nos anos maus. Por morte, porque acabam o doutoramento ou por razões menos apaixonantes. Por serem maluquinhos conseguem estabelecer relacionamentos densos mas descomprometidos uns com os outros sem o recurso a psicotrópicos, evitando assim dar cabo da saúde e das finanças. Falam muito uns com os outros, normalmente com ar plácido mas acompanhado de intensa gesticulação. |