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Talvez no âmbito de mais uma vaga (a milésima tricentésima vigésima quarta, só este ano) de louvor às virtudes do campo e da genuinidade das suas gentes, que até já têm uma região demarcada e tudo, a TSF deu voz a mais uma das muitas pessoas que, contrariando a tendência (sub)urbanizadora das últimas décadas, se fartou do insuportável bulício da cidade e foi viver para a aldeia (uma qualquer), levando consigo toda a sua família nuclear tradicional heteronormativa pré-moderna. A «notícia», que consistia quase exclusivamente nas declarações do pater familias, gravadas ao telefone com uma qualidade sofrível e a propósito de algo que não foi referido, permitiu-nos saber que ele se tinha mudado para a aldeia (uma qualquer) para fugir ao crescente movimento da cidade de Bragança. De Bragança.

Ficámos também a saber que para os filhos a mudança tinha sido «mais complicada» por causa dos amigos, mas que os danos emocionais causados às crianças pelo horror do pai ao stress citadino de Bragança (de Bragança) são, na opinião deste, largamente compensados pela «liberdade» (sic) que têm na aldeia e que a vida num apartamento de cidade jamais lhes proporcionaria. Além disso, o filho mais velho «já está a tirar a carta», informação que, embora dada assim, a seco, nos permite supor que a possibilidade de fugir à imensa liberdade conferida pela vida na aldeia (uma qualquer) desempenha um papel fundamental no equilíbrio daquele simpático agregado familiar.

Eu nunca lá estive, mas ou Bragança (Bragança) é, contrariando as estatísticas e informações de café que tenho como boas, muito diferente das suas congéneres Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Beja ou então saúdo com desmedida excitação a adesão dos serviços noticiosos da TSF ao melhor estilo The Onion. É que pelo outro caminho já se tinha percebido que não iam lá.
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