Como transformar um corpo humano de cara fechada para ninguém entrar na mesma matéria que a luz do sol mais a luz do sol reflectida pelas pedras da calçada da rua que por pouco não acaba no mar? Começa-se por uma noite perfurada pelas pontas acesas do rancor, por um olhar preso pelo cansaço e por uma vontade derrotada pela distância, apesar da tenra idade. Com amor e outras obscenidades prendem-se as mãos, as que temos por baixo da pele e as outras mais convencionais. Prende-se a respiração, que custa a regressar, e espera-se. O resto é trabalho para a fotossensibilidade, que nos impedirá de fugir.
Gerhard Richter, Betty, 1988 |