Paris, ah, Paris. Ô lá lá. Em Paris a indignação dura tanto tempo quanto o tempo que nós precisamos que ela dure. Pode até ser vitalícia, assim nós a queiramos do nosso lado até ao fim. Não é tão anónima como em Nova Iorque, nem tão nua como em Londres, nem tão atomizada como em Xangai, nem tão exuberante como em Buenos Aires, nem tão triste como em Viena, nem tão fugaz em nome da paz social como, digamos, a título de mero exemplo, que nem sequer conheço, Carrazeda de Ansiães, nem tão ascórbica como em Casablanca, nem tão crua como em Jacarta, nem tão fatal como em Vladivostoque.
É mais ou menos como em Colónia. Mas Paris, ah, Paris. |