Esta polémica (não vou enlaçar ninguém, desculpem lá) entre liberais-liberais e liberais da treta faz-me lembrar um episódio engraçado que se passou durante as últimas eleições legislativas alemãs, em 2005. Na ocasião, alguém se lembrou de noticiar que Guido Westerwelle, líder do Freie Demokratische Partei («Die Liberalen»), um partido de direita neoliberal, não só era homossexual como comparecia a eventos públicos com o seu companheiro. Esta manifestação pessoal de liberalismo foi tida por muita gente em Portugal como incompreensível: salvas as honrosas excepções, por cá o termo «liberal» parece ter sido destinado quase exclusivamente a aconchegar uma súcia de racistas, homófobos, anti-semitas e misóginos que se bate raivosamente por tudo aquilo que os liberais que prezam minimamente a tradição de pensamento da qual são herdeiros, independentemente das grandes divergências que os podem separar, nunca por nunca defenderão: a diferença de tratamento com base no preconceito.
(Para quem não estiver para perder muito tempo com o assunto mas quiser ficar um passo à frente das idiotices que se escrevem nos blogues nós-só-não-queremos-é- pagar-impostos-mas-como- «forretas-reaccionários» -é-uma-expressão-feia- dizemos-que-somos-liberais, aconselho o artigo da Wikipedia em inglês sobre liberalismo. É dos bonzinhos.) |