GSM
O mar é um sítio excessivo. Acordar todos os dias num quarto com uma janela que emoldura apenas céu e mar pode tornar-se insuportável ao fim de muito pouco tempo. Mesmo que, aproximando-me da janela, possa ver a falésia. Uma falésia não chega para nada.
Com certeza
Ria-se. Tinha sempre no rosto a expressão do riso que a todo o momento surgia como uma erupção. Ria-se. De todos, dele próprio, de nada: nunca ninguém soube porque nunca ninguém perguntou. Vivia-se bem com a certeza de que quem ri é mais feliz do que quem resmunga.
Inovação
Dantes mudavam o nome às coisas em que não queriam tocar para que o ar se enchesse da reconfortante fragrância das reformas. Agora deixam inalterados os nomes das coisas que mutilam para que sobreviva apenas a ideia de que mal se lhes tocou. Vão longe, estes rapazes (e algumas raparigas).
Fabaceae
Ontem sonhei que tinha sido abordado à entrada do meu prédio por dois elders. Eram iguais a todos os outros que por aí andam mas com um sotaque vagamente compreensível. A minha primeira tentação foi perguntar-lhes se não achavam que sou escuro demais para ter de aturar o proselitismo da sua religiãozinha patética, racista e misógina. Mas não tinha ainda conseguido proferir a primeira palavra da minha diatribe quando no meu espírito surgiu (misteriosamente?) a ideia de que aqueles jovens mais não eram, afinal, que duas pobres criaturas ingénuas e insuficientemente pigmentadas com que não valia a pena ser grosseiro, pelo que me limitei a partir-lhes as fuças com um saco do Pingo Doce cheio de leguminosas enlatadas da Ferbar. Eram principalmente embalagens de 420g de grão-de-bico, mas talvez também lá estivesse alguma de feijão frade, não posso garantir, os meus sonhos nunca são muito definidos. E nesse momento acordei, zonzo, um pouco suado e, confesso, excessivamente bem disposto. Em suma, acho que eu e o Zolpidem não fomos feitos um para o outro.
Noque-a
Já não consigo viver sem perfis temporários.
Collaboratrix
Isto de estar dependente de outra pessoa ao ponto de não me poder dar ao luxo de pensar que ela é capaz de actos imundos é um aborrecimento, uma moléstia, uma arrelia, uma maçada, uma importunação, enfim, uma grande contrariedade.
Ruído de fundo
Lá comprei An Inner Silence – The Portraits of Henri Cartier-Bresson. Estava a um preço menos mau na amazona e não resisti a incluí-lo numa encomenda já gorda com outras leituras necessárias e desnecessárias. Eu gosto de dizer estas coisas — «necessárias e desnecessárias» — porque não tenho de as explicar. Eu nunca consigo manter-me fiel a um critério para distinguir o necessário do desnecessário e há-de ser essa a minha desgraça. Estes livros ficam sempre muito mais baratos encomendados à amazona (dot co dot uk), mas há o risco de a estação de correios nos estragar o dia, a semana. Ia sendo o caso.

Tem aquele Beckett alienígena na capa e lá dentro esse entre outros noventa e tal retratos, quase todos meus velhos conhecidos. O que vale é que quanto mais conheço, mais esqueço. É por isso que nunca hei-de ser ninguém na vida. Foram-me ressurgindo à medida que os fui vendo, quase todos. A redescoberta é muito melhor que a descoberta, como o amor é muito melhor que a paixão, embora seja menos qualquer coisa de que entretanto já me esqueci. Acho que era poético, mas não tenho a certeza. Se calhar não era.

Noventa e tal fotografias — retratos — tiradas pelo Cartier-Bresson é um excesso, não devia ser permitido em nome da saúde pública. Ou simplesmente da minha saúde pessoal. O livro esteve sobre o velho televisor durante mais de uma semana, com a capa virada para baixo e mais dois livros em cima dele. Um deles até é do Gore Vidal e tudo. Sim, eu sei. Nem tinha coragem de olhar para ele, para a lombada, porque se lhe pegasse já sabia, e não ando com tempo para o que já sei. Um livro com noventa e tal fotografias — retratos — do Cartier-Bresson assustou-me, assusta-me.

E então se calhar o melhor está a ser as piores. «As piores». Se alguma vez conseguir tirar uma fotografia — retrato ou não — que seja metade da pior fotografia do Cartier-Bresson, posso tomar duas caixas de Rohypnol com meia garrafa de Martini Rosso por cima e ir desta para muito melhor descansado com a justificação da minha existência. Como se eu estivesse ralado com a justificação da minha existência. De certa maneira estou, mas só dentro do estritamente necessário à coexistência entre os meus pares. As piores ou já estavam esquecidas (por serem piores) ou eram completamente desconhecidas. Daí serem as melhores. Eu sei que isto entra em contradição com aquilo que escrevi há dois parágrafos, mas não interessa. Façam de conta.

Os piores retratos são todos de homens, o que é compreensível, por várias razões. Os das mulheres, Simone de Beauvoir, a porteira, Susan Sontag, Mme. Colette e sua criada, etc., são todos excelentes, por várias razões. Mas e o Christian Dior deliciosamente desfocado, a cabeça contra a luz de uma janela distante, a prega redonda a nascer-lhe do botão do casaco? Do casaco do Christian Dior. Ou o Alfred Stieglitz, que talvez tenha sido um dos fotógrafos preferidos do próprio Cartier-Bresson, tão anónimo. É um retrato que não parece um retrato, parece a substituição de uma peça, parece até um pouco mal. Foi tirada em 1946 e isso também justifica muita coisa. O Cioran, olvidável apesar da luz que lhe foge pelo lado esquerdo (de quem olha) do rosto. Acho injusto, no caso do Cioran. Uma fotografia quase boazinha é o pior que pode haver para alguém que nos deu tanta esperança, que nos alimentou tantos sonhos de juventude, alguém cuja alegria ainda hoje nos aguenta nos momentos em que tudo parece deixar de fazer sentido.

Ai, não, espera. Esse não era o Cioran, era o outro, aquele, o coiso, como é que ele se chamava?
Estado de comma
Ler muitos livros em inglês faz mal às vírgulas.
Summertime 14
Quinta-feira: no táxi com duas Stolichnayas e um sumo marca branca de limão. O resto já lá está: o gelo, as coisas velhinhas dos Depeche, o ruidoso sofá de napa preta mutilado por pontas de cigarro dentro de um edifício arte nova que nunca saberemos louvar pela facilidade com que nos permite não pensar. E o povo que percorre a rua, para cima e para baixo, indiferente ao estado do ar, o povo, para Este e para Oeste, que é o nosso ruído de fundo, o nosso cenário invisível. Umas mãos pelos ombros aliviam a pressão do futuro sobre a fronte e eu fecho os olhos por um momento de felicidade, ou de contentamento, que fica sempre por chegar. Abro os olhos para a porta trabalhada, como se esperasse ver o momento entrar por ali aproveitando a lassidão crónica da fechadura. Desisto. Regresso-te ao sofá e parto para a rua, para o povo que não pára de surgir.


Cindy Sherman, Sem título n.º 66, 1980
Quem corre por gosto
Antes de mais, convém esclarecer o que são os Bolseiros de Investigação Científica (BIC). Os BIC, contrariamente ao que alguma comunicação social e, a reboque, algumas pessoas foram levadas a pensar, não são estudantes — ou, aliás, podem ser estudantes, mas o estatuto de bolseiro não lhes advém dessa condição. Os BIC não são mais que uma forma que o Estado Português arranjou para «resolver» parte do problema do emprego científico sem ter grandes encargos: os BIC são, na verdade, trabalhadores com contrato a termo certo que, como se chamam bolseiros em vez de trabalhadores, não têm os direitos dos trabalhadores, entre os quais o direito ao subsídio de desemprego ou o direito a recorrer às entidades competentes em questões laborais quando são indecentemente abusados pelas suas chefias, situação que, dadas estas condições de partida, não seria preciso a Maya para prever que acontece com frequência.

Como também qualquer pessoa com uma bola de cristal comprada na loja esotérica da esquina conseguirá adivinhar, os vencimentos dos BIC, que são forçados por lei à exclusividade (salvo algumas excepções insignificantes e em condições extremamente desvantajosas), são pouco mais que miseráveis. No entanto, tomados por uma inexplicável ingratidão, os BIC têm dirigido ao Governo várias reivindicações, também elas bastante previsíveis, entre as quais a de que a remuneração mensal dos bolseiros passe a ser compatível com o nível de vida em Portugal e não com os preços do mercado de arrendamento nos subúrbios de Adis Abeba, como é actualmente o caso.

Ora, o Professor Doutor João Sentieiro, presidente para a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), proferiu recentemente, num evento qualquer, a propósito das mirabolantes exigências dos bolseiros, a seguinte frase: «Os bolseiros são privilegiados pois fazem aquilo de que gostam e ainda são pagos para isso.»

Eu não vou estar aqui a esgravatar na questão da omnisciência do Professor Doutor João Sentieiro. Se ele chegou onde chegou, tal deve-se certamente às suas capacidades para perceber o que cada uma das pessoas que trabalha no universo da ciência em Portugal pensa e sente. E se o Professor Doutor João Sentieiro diz que os BIC que passam os seus dias a fazer o trabalho administrativo (nobre mas pouco «científico») das instituições em que trabalham estão a fazer «aquilo de que gostam», então é porque é mesmo e não vou ser eu a desmenti-lo. De resto, não é preciso explicar o arrebatamento que toma conta de uma pessoa quando, tendo sido contratada para desempenhar funções de investigação num projecto de investigação no domínio da física de partículas se vê, por exemplo, 2 ou 3 anos à frente de uma fotocopiadora. E isto em regime de exclusividade, claro, para que não se extravie daqueles que devem ser os seus verdadeiros objectivos.

Não, o que me fez alguma espécie foi a assunção, implícita na frase do Professor Doutor João Sentieiro, de que quem faz o que gosta não tem necessariamente de ser pago. Lamento não dispor dos instrumentos teóricos nem ter bebido ainda o suficiente para discutir a concepção de trabalho como algo necessariamente desagradável que está subjacente àquela afirmação do Professor Doutor João Sentieiro. Quanto a isso, registo apenas que o Professor Doutor João Sentieiro, enquanto docente e enquanto presidente da FCT, ou abdica do seu salário ou abomina aquilo que faz. Em qualquer dos casos, conta com a minha solidariedade.

Mas o que me deixa sem saber o que pensar é o seguinte problema: se um bolseiro, por não receber o suficiente para pagar as contas e por, simultaneamente, estar impedido por lei de desempenhar outras actividades remuneradas, tiver de se dedicar a um part-time alternativo como, por exemplo, ir ali para o parque às 3 da manhã fazer uns serviços, como é? Se gostar do que está a fazer também não deve ser pago, ou deve, no máximo, exigir uma remuneração suficiente para cobrir os overheads? Ou será que, por se tratar de uma actividade desenvolvida fora do âmbito do Compromisso com a Ciência, este princípio já não se aplica? Estas coisas, Senhor Professor, é que as pessoas precisavam de ver esclarecidas.
Summertime 13
O corpo só parece acordar quando se sujeita ao contraste — nas costas o calor do dia que ainda ocupa a casa, no peito a nortada nocturna que a quer invadir; no rosto o absurdo do edificado riscado pelo voo luminoso das traças incapazes de sentido. Acorda e consegue reter os pensamentos sobre a ancestralidade de tudo o que se lhe apresenta, mas não consegue desviar-se da estreiteza de tudo aquilo com que nunca será presenteado. Verão é uma palavra demasiado optimista para este condensador de memórias do abuso, de maus auspícios. Estio. Estio é melhor.


Albrecht Dürer, Asa de um rolieiro, 1512
200 Km
O pensamento político daquele senhor que é líder do PNR, e cujo nome voltei a não conseguir fixar, é demasiado sofisticado para a minha pobre e gasta cabeça e não é com debatezecos a 12 «moderados» pela Dra. Fátima Campos Ferreira que vamos lá.

Não atingi completamente as questões da «promoção da homossexualidade», dos «candidatos do sistema» e dos «pobrezinhos de mão estendida que têm um BMW à porta», bem como a forma como todas estas questões, seguramente, se concatenam. Por exemplo: os pobrezinhos estendem a mão para fora da janela do BMW ou estendem a mão quando estão fora do BMW? E será o mesmo BMW para os pobrezinhos todos ou terão cada um o seu BMW? No caso de ser um para todos, isso quer dizer que a porta a que se refere também é só uma, concluindo-se daí que os pobrezinhos vivem todos no mesmo sítio, à molhada? Será daí, dessa abominável promiscuidade, que se alimenta o lóbi guei?

No caso de não ser só um BMW, será que são mesmo todos BMWius? Não haverá uns Audis e uns Mercedes, uns Lexus e uns Volvos? Ou essas marcas estão reservadas aos candidatos do sistema? E de que ano são os BMWius? É que não é bem a mesma coisa ter um BMW série 5 de 2007 ou um BMW série 3 de 1977. Eu, por exemplo, sou o extático proprietário de um carro com uma pinta do camandro (embora não seja de nenhuma das marcas supra) que foi comprado, já velho e em 2ª mão, por dez reis de mel coado. Admito que o aveludado daquele imenso banco traseiro e o fausto dos apliques em imitação de raiz de nogueira me colocam quase automaticamente no lóbi guei, mas deverei fazer algo para não ser confundido com um pobrezinho militante de um partido do sistema? Ou o facto de morar a 200 Km de Lisboa torna tudo isto irrelevante?

Eu, como muitos dos meus concidadãos e concidadãs, lisboetas e não lisboetas, gostaria de ter visto estas questões aprofundadas em vez de passar uma noite a ouvir falar da porcaria do aeroporto e das dívidas astronómicas da autarquia. Mais uma vez o serviço público de televisão falhou.

De resto, que eu tenha notado, não se passou nada de especialmente interessante, a não ser talvez aquele momento, apenas visível no canto da imagem, já mesmo no fim da emissão, em que uns senhores de bata branca deram uma injecção subcutânea ao Dr. Manuel Monteiro e o levaram para um local belo e pacífico onde uma pessoas de voz doce e pausada lhe garantirão que o CDS já não existe e que o Dr. Paulo Portas foi apenas o produto de uma experiência mal sucedida do KGB. Uma nota final para o Dr. António Costa: o cinzento claro não lhe fica nada bem. Outra para o Dr. Garcia Pereira: já chega. Acho que é tudo.
Carbono-14
Tentei o álcool. Tentei os canabinóides. Tentei momentos de lucidez no Cabo da Roca. Tentei por vezes com avidez dar cabo da vida.

Tentei o budismo. Tentei o marxismo-leninismo. Tentei o Campomaiorense.

Tentei o bombismo suicida. Tentei o tai chi chuan. Tentei a Bíblia. Tentei o Corão. Tentei o Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos.

Tentei o amor ao próximo. Tentei o amor do próximo.

Tentei os anónimos anónimos. Tentei os opiáceos. Tentei o macramê. Tentei o ioga. Tentei deixar de tentar.

E só depois de tudo isto ter (vejo agora que previsivelmente) falhado é que percebi que a resolução de todos os meus problemas passa simplesmente por aproveitar o tempo para apostar na minha formação.
Tempo é dinheiro
— Glu...?
— Glu?
— Glu!
— Hihihihi.
— Tu!
— Ná.
— Rrrrrrrrrrrrr.
— Mmmmmm.
— Rrrrrrruá!
— Hihihihi.
— Cosquinha.
— Não.
— Vá lá...
— Não!
— Tim!
— Não!
— Tim-tim-tim-tim!
— N-n-n-n-n-n-n-n-n-não!
— Ó.
— Depois...
— Quando?
— Depois depois.
— De. Pois.
— Mañana maybe baby.
— Porquê?
— Porque sim.
— Ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssim?!
— Não!
— É sempre assim.
— É sempre anão.
— Não!
— Não pode.
— Então?
— Então resolvi aproveitar o tempo para apostar na minha formação.
Espumoso
Estava a sentir-me ridículo como um daqueles pierrots de roupa aos quadrados coloridos e lágrima ao canto do olho, mas sem a roupa aos quadrados coloridos e a lágrima ao canto do olho. Enquanto me ria das piadas, da ironia e da incongruência que os convivas tão docemente dispensavam, os meus pensamentos moviam-se entre encher-lhes o espumoso de perdigotos misturados com alguns poetas portugueses contemporâneos e arrancar o meu próprio sexo com as minhas próprias mãos a meio do evento pelo qual tinha dado tantas das minhas próprias excreções. Ainda estive nisto durante uns minutos, a esforçar-me por recuperar alguma informação útil para a primeira opção através de mnemónicas ineficazes e a tentar desencantar o despojamento necessário à execução da última. Quando finalmente percebi que não ia conseguir fazer nada, nem sequer chorar, resolvi acalmar-me e aproveitar o tempo para apostar na minha formação.
Morrer no talude continental
As pernas falharam-me. Apetecia-me dizer que foi sem mais nem menos, mas não foi sem mais nem menos. Já várias vezes me tinha perguntado por quanto tempo (ou seria distância?) iriam elas aguentar. Falharam-me, finalmente, portanto. Tive de ficar ali, miserável, ali que até nem era um mau sítio porque de lá ainda não se via o destino, mas já era possível cheirá-lo (por assim dizer). Como vi que sem pernas de jeito não ia conseguir fazer mais nada, resolvi aproveitar o tempo para apostar na minha formação.
Rumores
«Curiosamente, reencontrei-o há não muito, na Baixa, complètement par hasard. Ele, impossibilitado de me evitar, cumprimentou-me com uma amabilidade excessiva e com aquele sorriso enfático que dedica a toda a gente. Chega a ser um pouco impudico, mas ninguém lhe leva a mal. Ainda lá estava a velha deferência, mas creio que, agora, já só como esforço para dissipar o peso da minha tremenda longanimidade. Quer-me parecer que nunca se perdoará por se ter vergado aos... rumores. Alguém maior ter-se-ia deleitado com semelhante colorido, mas ele não tinha estofo para tanto, o pobre diabo — foram estes os devaneios que me passaram pela cabeça nos breves segundos em que nos dedicámos àquele ritual de necessária hipocrisia! Depois seguimos às nossas vidas: eu ao que resta da minha, ele à do seu novo ungido, que, imagino, não será mais que um velho untuoso cuja identidade desconheço, mas de cuja existência e masculinidade não duvido. Foi inevitável que este episódio me causasse alguma melancolia, mas asseguro-lhe, minha cara amiga, que regressei aos meus níveis normais de depressão poucas horas depois.»

Excerto de Opúsculos e Epístolas do Marquês de Escarafuncheira,
a publicar brevemente em edição (póstuma) de autor
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