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A origem do universo
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Mesmo correndo o risco de prolongar uma discussão que está condenada a não chegar a lado algum, não me permitirei o repouso senão após esta precisão fundamental: só com uma dose excessiva de hipocrisia vestida de cordeiro se pode dizer que o facto de não saberem o que me hão-de dizer decorre do meu comportamento ao longo dos últimos meses. Se bem me recordo, esse vosso problema de expressão não só precede o meu comportamento ao longo dos últimos meses, como precede, mesmo, a própria origem do universo. |
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Assassinos
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Houve uma época em que fomos muito próximos, até chegámos a partilhar o broncodilatador nalgumas festas a que fomos juntos. Depois, quando partiu para a universidade, ganhou outros interesses, dedicou-se quase exclusivamente ao estudo e a comer erasmus, de Roterdão e não só, e perdemos o contacto. Fui tendo notícias, cada vez mais esparsas, por conhecimentos comuns, durante os primeiros anos de apartamento, mas a última vez que soube do seu paradeiro foi há uns 3 ou 4 anos, e já nessa altura o que me contaram fazia prever o pior. Mesmo assim foi com pesar e, especialmente, com alguma estranheza que recebi a notícia do seu fim trágico às mãos dos vermes mutantes assassinos do espaço. É que, tanto quanto sei, os vermes mutantes assassinos do espaço não têm mãos. |
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«A velha»
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«(...) — Qual é a sua atitude relativamente aos mortos? — perguntei a Sakerdon Mikháilovitch. — Absolutamente negativa — disse Sakerdon Mikháilovitch. — Tenho medo deles. — Sim, também detesto os mortos — disse eu. — Se me calhasse um morto, que não fosse meu parente, acho que lhe dava um pontapé. — Não vale a pena escoicear os mortos — disse Sakerdon Mikháilovitch. — Dava-lhe um pontapé no focinho — disse eu. — Detesto mortos e crianças. — Sim, as crianças são um nojo — concordou Sakerdon Mikháilovitch. — Na sua opinião, o que é pior: os mortos ou as crianças? — Acho que as crianças são piores, incomodam mais. Os mortos, diga-se o que se disser, não se metem na nossa vida — disse Sakerdon Mikháilovitch. — Metem sim! — gritei e calei-me logo. Sakerdon Mikháilovitch olhou para mim com atenção. — Quer mais vodca? — perguntou. — Não — disse eu, mas apressei-me a acrescentar: — Não, obrigado, não quero mais. Voltei para a mesa e sentei-me. Durante algum tempo estivemos calados. — Quero perguntar-lhe uma coisa — disse eu finalmente. — Acredita em Deus? Na fronte de Sakerdon Mikháilovitch surge uma ruga transversal, e diz: — Há acções indecentes. É indecente pedir cinquenta rublos emprestados a alguém que se viu a acabar de meter duzentos rublos no bolso. Porque é com ele: empresta-lhos ou recusa; e o método mais agradável e cómodo de recusar é dizer que não se tem dinheiro. Mas o senhor viu que o homem tinha dinheiro e, com isso, privou-o da possibilidade de uma recusa simples e agradável. Privou-o do direito de escolha, o que é uma canalhice. É uma acção inconveniente e indelicada. Perguntar a alguém se acredita em Deus é também uma coisa indelicada e inconveniente. — Ora bem — disse eu —, não tem nada a ver com isso. — Também não estou a comparar — disse Sakerdon Mikháilovitch. — Está bem — disse eu —, deixemos isso. Desculpe-me só por ter-lhe feito uma pergunta tão inconveniente e tão indelicada. — Com certeza — disse Sakerdon Mikháilovitch. — E eu apenas me recusei a responder. — Eu também não responderia — disse eu —, mas por outra razão. — Que razão? — perguntou Sakerdon Mikháilovitch com moleza. — É que, na minha opinião, não há pessoas crentes ou descrentes — disse eu. — Há apenas as que desejam ter fé e as que não desejam ter fé. — Logo, aqueles que desejam não ter fé já crêem em qualquer coisa, não? — disse Sakerdon Mikháilovitch. — E aqueles que desejam ter fé não crêem em nada a priori? — Talvez seja assim — disse eu. — Não sei. — Mas eles crêem, ou não crêem, em quê? Em Deus? — perguntou Sakerdon Mikháilovitch. — Não — disse eu —, na imortalidade. — Então, por que me perguntou se eu acreditava em Deus? — Simplesmente porque perguntar a alguém se acredita na imortalidade soa estupidamente — disse eu a Sakerdon Mikháilovitch e levantei-me. (...)»
Daniil Harms, «A Velha» in A Velha e Outras Histórias, Assírio&Alvim, Lx, 2007 [tradução do russo por Nina Guerra & Filipe Guerra] |
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(lustig im tempo und keck im ausdruck)
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O Grande Seitan
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Número privado. O telemóvel vai tocando e vibrando pela secretária fora. Número privado. A estas horas. Pára de tocar. Fica no ecrã de 64 mil cores a indicação de uma chamada não atendida. Eu continuo a escrever o meu texto, que tenho de entregar amanhã sob pena de acontecer uma grande tragédia não especificada capaz de mudar o curso de não sei quê. Ainda a luz do ecrã de 64 mil cores não se apagou (10 segundos é quanto está definido) e já o telemóvel novamente toca e treme pelo tampo da secretária, aproximando-se cada vez mais do abismo. Número privado. Continuo a escrever, tentando ignorar o toque sonoro e o tique vibratório ao mesmo tempo que equaciono a possibilidade de desligar o telemóvel, de lhe tirar o som, de lhe tirar a tremedeira ou qualquer uma das combinações possíveis destas três fascinantes opções, mesmo aquelas que não fazem qualquer sentido, como tirar-lhe o som e, a seguir, desligá-lo, só para dar um exemplo. O telemóvel pára de tocar já em equilíbrio instável na borda da secretária. Duas chamadas não atendidas, anuncia ele. A última frase que escrevi está incompreensível, o que, excepcionalmente, pode não ser uma vantagem. É da salvação de alguma coisa tremendamente importante que estamos a falar, afinal, e convém ter cuidado. Apago-a. Recomeço a reescrita e o telemóvel volta a tocar, mas cai imediatamente ao chão, onde se desmonta, como é próprio de um Noque-a, e se cala, quem sabe se para sempre. Uma vez que não tenho o correio de voz activo, acabaram-se as possibilidades de saber quem era. Mas aposto que era o Grande Seitan. |
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Summertime 15
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Como transformar um corpo humano de cara fechada para ninguém entrar na mesma matéria que a luz do sol mais a luz do sol reflectida pelas pedras da calçada da rua que por pouco não acaba no mar? Começa-se por uma noite perfurada pelas pontas acesas do rancor, por um olhar preso pelo cansaço e por uma vontade derrotada pela distância, apesar da tenra idade. Com amor e outras obscenidades prendem-se as mãos, as que temos por baixo da pele e as outras mais convencionais. Prende-se a respiração, que custa a regressar, e espera-se. O resto é trabalho para a fotossensibilidade, que nos impedirá de fugir.
Gerhard Richter, Betty, 1988 |
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Arquitectura de revista
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Como em Portugal só os anónimos é que andam regularmente de comboio tivemos de esperar nove anos para que o óbvio viesse à tona: a Gare do Oriente não presta. O problema, pelo menos para mim, não é estético, que até lhe acho alguma piada, pelo menos no contexto cyberpunk em que se insere. O problema da Gare do Oriente é o mesmo de boa parte da arquitectura de revista que se faz hoje em dia e que atravanca as nossas cidades com mamarrachos caros e inadequados: os seus autores acham que se puserem as sanitas no tecto nós e a lei da gravidade cá nos havemos de arranjar de alguma maneira.
Outro bom exemplo desta corrente arquitectónica, cujo denominador comum é o desprezo total pelos fins a que os espaços e edifícios em questão se destinam, é o do Pólo II da Universidade de Coimbra, uma zona de fealdade, aridez, suburbanidade e disfuncionalidade tais que ninguém lá fica mais que o tempo estritamente necessário para fazer aquilo que não pode fazer noutro local qualquer. O programa construtivo é da autoria daquele senhor Cortesão que deu cabo do Jardim da Cordoaria, no Porto, e que mesmo assim continua por aí, à solta; os mamarrachos são de autores vários, regra geral conhecidos.
Também não podemos esquecer o Constipódromo de Aveiro, mais conhecido como "Fórum Aveiro", um curioso túnel de vento ladeado por lojas cujos aparelhos de ar condicionado têm de estar no máximo durante o ano quase todo porque ninguém se lembrou que existem diferenças não despiciendas entre o clima daquela simpática cidade da Beira Litoral e o de Bora Bora, onde, dizem, correm brisas mais amenas. Talvez não ganhe nenhum prémio de eficiência energética mas toda a gente continua a achar-lhe muita piadinha, mesmo com as marquises que entretanto tiveram de instalar na zona alimentar para que esta se tornasse vagamente utilizável, ainda que apenas durante alguns dias do ano. |
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O outro
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Eis finalmente a tão aguardada lista completa dos emails que recebi desde que alterei o visual do Agrafo.
«Está fixe mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está magnífico mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está baril mas eu gostava muito do outro» [Leitora devidamente identificada]
«Está porreiro mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está divinal mas eu gostava muito do outro» [Leitora devidamente identificada]
«Está elegante mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está altamente mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está óptimo mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está bué da naice mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está genial mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está catita mas eu gostava muito do outro» [Leitora devidamente identificada]
«Está bacana mas eu gostava muito do outro» [Leitora devidamente identificada]
«Está maravilhoso mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está bonito mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está fantástico mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está excelente mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está muita louco mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está espectacular mas eu gostava muito do outro» [Leitora devidamente identificada]
«Está super hiper mega ri-fixe mas eu gostava muito do outro» [Leitora demasiadamente identificada]
«Está chiquérrimo mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está muito bom mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está brutal mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Your penis will make more shadow than a tree. Cialis Viagra Levitra now 50% off.» [MegaDik]
«Está o má-xi-mu mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está lindo mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está do catano mas eu gostava muito do outro.» [Leitor devidamente identificado]
«Está fabuloso mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada]
«Está giro mas eu gostava muito do outro.» [Leitora devidamente identificada] |
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Verdade-verdadinha, verdade-mentirinha
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Ir ao parque de retalho a um domingo à tarde nesta terça parte de ano que se fez Natal é melhor que andar no metro que ainda não existe à hora de ponta. Não preciso de esconder o meu desprezo porque ele, o desprezo, no fundo, não existe. Não sou do género talvez nenhum deus no Céu mas certamente fulano de tal na Terra, as suas palavras em placas aos trambolhões pelo Monte Sinai abaixo, que hoje em dia já não há quem se disponha a fazer certos serviços em condições, e depois ir para o parque de retalho a um domingo à tarde nesta terça parte de ano que se fez Natal é melhor que andar no metro que ainda não existe à hora de ponta exibir o meu desprezo com sorrisos de canto de boca, ares beatíficos, trocas de SMS, amanhã novamente a rastejar por migalhas de reconhecimento, coitados, coitadas. Não, não sou. |
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Portugal’s finest news source
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Talvez no âmbito de mais uma vaga (a milésima tricentésima vigésima quarta, só este ano) de louvor às virtudes do campo e da genuinidade das suas gentes, que até já têm uma região demarcada e tudo, a TSF deu voz a mais uma das muitas pessoas que, contrariando a tendência (sub)urbanizadora das últimas décadas, se fartou do insuportável bulício da cidade e foi viver para a aldeia (uma qualquer), levando consigo toda a sua família nuclear tradicional heteronormativa pré-moderna. A «notícia», que consistia quase exclusivamente nas declarações do pater familias, gravadas ao telefone com uma qualidade sofrível e a propósito de algo que não foi referido, permitiu-nos saber que ele se tinha mudado para a aldeia (uma qualquer) para fugir ao crescente movimento da cidade de Bragança. De Bragança.
Ficámos também a saber que para os filhos a mudança tinha sido «mais complicada» por causa dos amigos, mas que os danos emocionais causados às crianças pelo horror do pai ao stress citadino de Bragança (de Bragança) são, na opinião deste, largamente compensados pela «liberdade» (sic) que têm na aldeia e que a vida num apartamento de cidade jamais lhes proporcionaria. Além disso, o filho mais velho «já está a tirar a carta», informação que, embora dada assim, a seco, nos permite supor que a possibilidade de fugir à imensa liberdade conferida pela vida na aldeia (uma qualquer) desempenha um papel fundamental no equilíbrio daquele simpático agregado familiar.
Eu nunca lá estive, mas ou Bragança (Bragança) é, contrariando as estatísticas e informações de café que tenho como boas, muito diferente das suas congéneres Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Beja ou então saúdo com desmedida excitação a adesão dos serviços noticiosos da TSF ao melhor estilo The Onion. É que pelo outro caminho já se tinha percebido que não iam lá. |
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Liquidâmbares
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Daniil Harms teria dado um excelente blogueur, não fora o acaso do destempo. É tão triste nascer-se fora de época. Eu, por exemplo, contrariamente a Daniil, vim depois da altura apropriada às minhas limitações. Se quisermos ser líricos, um pêssego em Novembro. Se quisermos ser realistas, uma laranja em Abril. Uma laranja das antigas, das boas. E no hemisfério Norte. 20 de Março de 1890 — 25 de Setembro de 1974, por exemplo. Lisboa — Lisboa, já agora, para não aldrabar muito. República, modernistas, surrealistas, montes e vales a monte, escritórios cinzentos em prédios com elevadores de porta de lagarta, baldar-me à conversão ao nacional-chiquismo, presunção, água benta. Enfim, a merecida glória, pelo menos. Entretanto, os liquidâmbares cansaram-se de esperar e resolveram assumir, unilateralmente, o Outono. Não sei como há quem ainda não tenha reparado e tirado as devidas consequências. |
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Carne para canhão
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Todos os anos chegam mais quatro ou cinco maluquinhos, seis ou sete nos anos bons. Começam por tomar café sozinhos, almoçar sozinhos, vaguear sozinhos pela cidade. Passadas algumas semanas, poucos meses no máximo, juntam-se aos maluqinhos que já cá estavam. Quem escreveu sobre isto de as pessoas se encontrarem desta maneira, sendo maluquinhas ou não, foi o Bernardo Soares. Ou outro maluquinho qualquer.
Todos os anos se vão embora quatro ou cinco maluquinhos, seis ou sete nos anos maus. Por morte, porque acabam o doutoramento ou por razões menos apaixonantes. Por serem maluquinhos conseguem estabelecer relacionamentos densos mas descomprometidos uns com os outros sem o recurso a psicotrópicos, evitando assim dar cabo da saúde e das finanças. Falam muito uns com os outros, normalmente com ar plácido mas acompanhado de intensa gesticulação. |
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Belo exemplar
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A minha Orbea (ou Stapelia) variegata deu, finalmente, a magnífica flor patente na imagem acima. Desabrochou anteontem, mede cerca de 5 centímetros de diâmetro, não se mexe de acordo com a posição do sol ou com o preço do barril de petróleo nos principais mercados internacionais e tem o proveito correspondente à fama de ser uma carrion flower: produz um característico e assaz desagradável cheiro a rato morto que tem como propósito atrair os insectos necrógafos que, no seu habitat original (África do Sul), são responsáveis pela polinização. Cheguei a temer que o preço a pagar por ter este belo exemplar fosse a invasão da casa por varejeiras, mas até agora, deus vosso senhor seja louvado, não aconteceu nada. |
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Um optimista
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Quereis uma ideia de negócio que fará de vós nababos nojentos e luzidios em menos de dez anos? Remoção de tatuagens. R-e-m-o-ç-ã-o d-e t-a-t-u-a-g-e-n-s. Anotai. Ide já ao centro de formalidades de empresas mais próximo. Não mais digais (ficou mal, eu sei*) que eu não sou um optimista.
* Ando tão brechtiano, ultimamente. |
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