Iqaluit
Apesar da subida da temperatura, que veio como brinde na depressão cavada, e do convector no máximo, sonhei com a minha morte em Iqaluit, a terra sem árvores, quando adormeci a seguir ao almoço. É costume durante o Inverno, este até é melhorzinho que aquele que tenho à noite, quando como rojões à minhota, em que sou estrangulado com um fio de nylon pelo encarregado de negócios da embaixada da Máfia Calabresa no Nunavut. A minha médica de família diz que é da automedicação, que tenho de parar de tomar xanaxes como se fossem os valiuns que deixei de tomar como se fossem os lorenines que deixei de tomar como se fossem os cymerions que deixei de tomar como se fossem os ansilores, que deixei de tomar como se fossem os kaineveres que deixei de tomar como se fossem os bromalexes que deixei de tomar como se fossem os libriuns que deixei de tomar como se fossem aqueles placebos ridículos dos sedoxiles. E as outras porcarias que ela nem sonha e que, evidentemente, nunca deixei de tomar. É a esta gente que está entregue o Serviço Nacional de Saúde. Depois queixam-se que o querem privatizar, esquartejar, encerrar. Incapaz de me mexer, o gelo torna-se lentamente a minha urna, eu torno-me parte de um glaciar e na Primavera sou derretido para o oceano, de onde os ocupantes de uma embarcação tradicional me recolhem para fins que não seria próprio enunciar neste espaço. Talvez devesse pedir um empréstimo e comprar um daqueles aquecedores de mica que custam aproximadamente o produto interno bruto da Libéria, onde há calor com fartura e, convenientemente, a esperança média de vida não justifica a compra de bens não essenciais. Diz que gastam pouco, que não queimam o ar e que isso é bom por causa das bactérias.
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