A porta abrir-se-ia, a luz entraria na sala. Seria a única luz na sala, a mesma luz que, instantes antes, só havia conseguido entrar, numa parte insignificante e invisível a olhos humanos, por baixo dessa mesma porta. Com a porta aberta e a luz lá dentro, as sombras ocupariam os seus postos e eu, nesse momento, sairia da sala para garantir o equilíbrio. Mas não, não aconteceu nada. A porta abriu-se e não aconteceu nada, somente passou a estar aberta uma porta que antes estava fechada, um rectângulo de luz inconsequente onde antes tinha havido uma pequena pausa para a noite.
Gottfried Helnwein, Los Caprichos 9, 2006 |