A minha Mammillaria microhelia era, quando a comprei, em 2000, num Lídele de uma zona desvalida da Área Metropolitana do Grande Porto, um pequeno e divertido cacto colunar que se destacava pelos seus bonitos espinhos vermelhos escuros e amarelos. Hoje, passados que estão oito anos, e conforme se pode ver pela imagem anexa, transformou-se numa obscenidade fálica, incestuosa e promíscua que produz largas dezenas de flores quando chega à época apropriada – e a época apropriada é agora. No Verão, quando o calor a liberta do torpor do desterro no clima mediterrânico, ergue-se e gira em busca do Sol, abalroando tudo o que lhe aparece à frente, voltando depois, durante a noite, à posição acima documentada. Tratando-se de um cacto relativamente volumoso e generosamente artilhado, que, para mais, vegeta num espaço densamente povoado por outras plantas, isto constitui um problema de gravidade média-alta. O ano passado, durante uma dessas erecções-incursões, danificou-me a Crassula muscosa, uma suculenta frágil e inerme, com cujas insignificantes inflorescências invernais optei por não vos importunar. A próxima a florir — e já se está a preparar — é a pitoresca Euphorbia mammillaris, de que em breve vos darei notícia. |