De todas as coisas que me divertem imenso nas eleições, a melhor de todas é a reconfiguração da hierarquia das qualidades pessoais. Sabermos de um candidato da outra banda que ele tem uma exasperante tendência para diluir as fronteiras entre o que é dele e o que não é, constitui elemento de prova, generosamente ponderado, da sua desadequação ao cargo a que aspira. Se o candidato for da banda de cá, esses pequenos defeitos — quem os não tem? — morrem afogados pelo magnífico ideário que a criatura debita a todo o instante, e ao qual aderimos por razões que excedem em muito os nossos pequenos interesses pessoais. Há que ser pragmático, afinal, mesmo que tenha de se balir um pouco de vez quando, para manter as aparências. Algo me diz que 2009 vai ser um ano cheio de piada(s). |