Toda a gente conhece alguém que ia pela rua a caminho da sua vida quando, de súbito, foi atingida por uma bigorna acidentalmente lançada do oitavo andar de um edifício de escritórios em pleno CBD. Ou alguém que saltaricava de braços no ar durante o ensaio do rancho folclórico quando, de súbito, lhe deu o verde badagaio e caiu no estrado entre golfadas de sangue. Ou algo do género. Eu não sou excepção. Creio que foi o meu algo do género que me fez abraçar este amor por ajudar as pessoas nos momentos difíceis. Nos meus momentos difíceis.
Já nos finais da adolescência tinha pertencido a vários grupúsculos que, à sua maneira, faziam de conta que julgavam que imitavam aquelas organizações que fingiam que acreditavam ser possível um mundo sem fome, sem guerra, sem pobreza, sem doença, sem a Caixa Geral de Depósitos. Cheguei mesmo a pernoitar numa nebulosa estival de candidatozinhos a robespierrezinhos. Mas, apesar da minha vocação precoce para estas coisas, julgo que foi o meu algo do género que fez a diferença. |