Creio que estão reunidas as condições para iniciarmos a nossa luta — a nossa marcha? — contra a calçada portuguesa. A modernidade cimenteira vencerá a calçada portuguesa. Retirar a calçada portuguesa de todos os locais onde ela não desempenhe um papel turisticòartístico que represente uma clara valorização que se configure como não sei quê, devia ser um desígnio nacional. Agora deu-me para o consumo por morte, que talvez seja o último passo antes do consumo de morte, ou, mais improvavelmente, a morte por consumo. A morte do consumo não está sequer colocada em cima da mesa. Não pode morrer ninguém que eu não lhe vá logo encher os bolsos aos herdeiros. Este novo e imprevisto hábito traz-me, confesso, com algum, mas pouco, medo do amanhã. Milhões de pés torcidos por ano agradecerão o fim da calçada portuguesa nos subúrbios, nas hinterlândias, nos bairros residenciais. Isto não é nenhuma das minhas metáforas patetas — deixei-me disso. O meu problema é mesmo a calçada portuguesa. Metam isso nas vossas cabecinhas. |