Não olhes, não vale a pena. É só mais um dependurado que se pode ver através das gotículas de água que a termodinâmica colocou na janela da cozinha durante madrugada, quando ninguém estava a olhar. É o terceiro esta semana. Quarto? Sim, quarto. Mas o terceiro que já não estrebucha, que fez o serviço bem feito, que não nos deu mais que o trabalho estritamente necessário de fazer um esforço por não olhar. Este até já tem à sua volta os professionais da emergência e socorro, que se limitam a descê-lo por não ser uma emergência e não haver lugar a socorro. Estão só a arranjar espaço para o próximo, que inevitavelmente surgirá quando mais esperarmos. Um morto é melhor que um quasemorto é melhor que um Quasimodo, não é? Isto é melhor que a alternativa. Pode não ser o que sempre desejaste, mas quase me fui para te arranjar isto, estes cadáveres ainda mornos que podes ignorar à distância. Pensa nisso sempre que te desapetecer.
Boris Eremeevich Vladimirski, Rosas para Estaline, 1949 |