Precisei de telefonar-te este fim-de-semana. Da última vez o resultado fora pior que o esperado, mas não ocupei demasiado a cabeça com esse percalço. A verdade, mais vale dizê-la, é que precisava de alguém a quem pudesse, de certa maneira, dizer que voltou a acontecer. Deixei-me cair, empurraram-me, não sei: estou cá outra vez. Nem mesmo a experiência de vezes anteriores me serviu de corda, e o que ganho em saber que é possível sair, perco em vergonha geradora de inacção por ter voltado a entrar. Foi por isso que quis falar contigo, foi por isso que contornei a desavença: porque precisava de expor o meu caso à luz da sua relação com os factores de risco que tão bem conheces e que, por isso, contigo, já não preciso propriamente explicar. Contigo dói menos e isso, nestes momentos, parece-me uma coisa bonita. Ainda peguei no telemóvel, mas pus-me a ver um discurso do Obama no TuTubo e passou-me a vontade. Fica para o próximo fim-de-semana. |