Conheces, não conheces? É que, agora que falo nisso, apercebo-me de que no fundo o nosso entendimento de meios silêncios pode ter sido afinal um ajuste de mal-entendidos. Das meias palavras de ambos fez-se um edifício monótono e funcional — mas em que rua? Na nossa? Na minha? Na tua? Na esquina das duas? Partido em módulos por cidades diferentes? Temo que tenhamos produzido um cadáver esquisito sem nunca percebermos que se tratava de um cadáver porque não era suficientemente esquisito. Mas não deixa de ser um cadáver esquisito. Esquisito é também ver-me sem saber se preciso de explicar tudo, só uma parte ou nada. Disto, que pode parecer simples expediente, dependem variáveis cuja existência nem chegas a imaginar, supões ou conheces como a palma da tua mão, consoante o anteriormente exposto. Suponho que, caso ainda não tivesses aqui chegado, se te coloque agora exactamente o mesmo problema, mas compreenderás que, na minha situação actual, e até ter saído daqui, eu me preocupe mais com a tua amigança do ponto de vista do utilizador que com a minha utilidade do ponto de vista da hemostasia. |