Lá fui ver, com grande sacrifício para aquilo a que a modernidade nos habituou a chamar «vida pessoal», o Pedro Mexia n’«Os Livros Ardem Mal». Estava lá uma percentagem considerável da blogosphera de Coimbra, se quereis saber, como o Luís e alguns autores (masculino generalizante) que provavelmente preferem que eu os (masculino generalizante) não enlace em posta, para que se não desconfie que, entre os seus contactos, se conta alguém da minha laia. Eu, pelo menos, no lugar deles (masculino generalizante), também o preferiria.
Antes do início, quando estava sentado na escadaria do TAGV a drogar-me, vi uma jovem mulher que, nitidamente, esperava por uma companhia com quem iria assistir ao evento. Estava de pé, junto à entrada do teatro, vestida como quem vem de um emprego em que uma formalidade e contenção acima da média lhe são exigidas. Inclino-me mais para o escritório de advocacia que para o balcão do banco ou o impingimento de cartões de crédito. Também poderia ser RP, mas estamos, recordo, em Coimbra. Elegante, com a expressão de quem só deixa a ansiedade sobrepor-se à serenidade quando a ocasião assim lho exige, olhava insistentemente para a rua, tanto mais insistentemente quanto a hora dezoito se aproximava.
Convenci-me de que se tratava de Miss Allen à espera de Miss Woody. Quando, já no foyer onde decorria a conversa, a jovem mulher se sentou na mesa imediatamente atrás da minha acompanhada de uma outra jovem mulher, esta loura e feérica (para quem gosta do género, pelo menos, presumo, se não estou em erro), verifiquei, mais uma vez, o quão subestimadas pelo vulgo são as minhas suposições.
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