Mailer-daemon@
Deixou de atender, posso assim contá-lo, deixou que o vento lho levasse do alcance e cada vez o chamava menos, mas ele nada abarcava. Sabeis como são os homens, certamente, burros e falhos de entender tudo o que não se tenha cortado e no prato. A culpa é das mães: sabeis como são as mães, certamente, casmurras e aquém de se dar a tudo o que não possam cortar e exultar num pranto. Tantas vezes em desespero, ou por excesso de esmero, fazem-no ao seu coração, e, quando lhes não é permitido o mester, ficam-se assim, com a faca na mão. Fingiu, levemente, no limiar da mentira, prestes à beira da sinceridade, um vício por outro homem da estirpe do que no movimento já só renegava. E o outro, nada de lá ir com os olhos, com a boca, com a mão. Continuava, sempre ao largo, amiúde a prover-se na costa, até entusiasmado por aquilo que ele cria não ser — os homens sempre sabem quando outros são fatias do bolo, é no que dá tanto achego à bitola — sem perceber que o rasgo estava em não ser consigo, e não com o outro com quem vez alguma seria. Parece obtuso, mas não é, é de todos os dias, da vizinha do lado ao mendigo da esquina, de cair ao tropeço nas curvas da vida, vulgar de Perseu e depois de Lineu. Nunca ninguém saberá ao certo até que ocaso tremerá ela no acaso pelo que não fez e devia ter feito. Não fala com alma do aviltamento, muda de tema como mudasse de poiso, muda de poiso como trocasse de afectos, que mudam nunca, pois não é dela largá-los como se fossem porquês. Vive de cedo para juntar retratos, e desde então cada vez o é mais: dessa pena até à cova diz a si própria ser condição do seu feliz cumprimento. Tem talvez susto de afirmar a recusa, deslustre na covardia que de nada a escusa, e abre os olhos muito, muito, para secar o que não sobe da razão. Quando me contaram esta estória tão triste, fiquei de quase meter dó, tal era o agasto em que todos me viam.
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