Gostaria de viver apenas para te fazer feliz. Deixar tudo e cedo erguer para te servir, exigindo quase nada em troca. Manumissão, submissão, tentáculos inescapáveis feitos do melhor que o Atlântico tem para dar. Ao luar, duas vezes por semana por altura da estiagem, ou ao abrigo da chuva no horário de Inverno. Quanto mais útil o dia, maior o valor. Duas prendas por ano, em ocasiões heréticas não militantes, até um sexto dos rendimentos anuais. Aquelas calças que tu sabes, aquela camisa que já te disse, o casaco que te dei, excederam os limites fixados — desconto nas próximas. As indefinições estão cá para serem aproveitadas de forma discricionária, assegurado que esteja o seu concurso para o fim inicialmente estipulado. Deixar tudo e nunca ceder, surdo aos tempos e cego à sazão. Tudo apenas para que possas ser este feliz e não outro feliz qualquer.
Tatjana Doll, Hummer - frontal, 2005 |