A esperança é um osso. Um osso minúsculo, menor que um estribo, que nos prende ao que poderíamos segurar. Só assim é possível que um morto remexa mais que os vivos. Que um adeus valha mais que os vivas. Que És a minha droga acabe em Estava-se mesmo a ver que quando abrisses os olhos. Que não se consiga salvar quem termina (e menos ainda quem começa) com Para sempre, por mais que os restos sejam belos, o passado temperado e o futuro ansiosamente passado. Se a esperança fosse um músculo, longo como um sartório ou curto como um estapédio, conforme as tradições da latitude nos pretenderam ensinar, nada disto seria assim. |