E.B., s.t. (Quarto com vista n.704), 2008
O Agosto já não é tão ocre. A cidade tem a(s) alma(s) devolvida(s) pela mundialização. As temperaturas baixaram para deixar passar o aquecimento global. As velhas só teimam na vetusta arquitectura que lhes resguarda a obstinação. Os assassinos tenteiam o protector solar para que a pigmentação lhes não traia o disfarce. O suor arrefecido nos lençóis é medido pela bitola da Direcção-Geral dos Recursos Florestais. O barulho que se faz, santo deus, o barulho que se faz. Os gatos de casa dão comida às utopias abandonadas na rua pelos veraneantes. O odor metálico alojou-se nas esquinas e tornou obsoletas as brigadas anticrime. O Abrupto, que as pessoas más tanto citam sem fabricar o devido enlace, fez-se o fotoblog[ue] mais cruel dos infoincluídos. Os adjectivos não se derretem por entre as fissuras dos ecrãs. Nem os sinónimos do amor ou a sua memória são já os mesmos.