Alga
Quando a professora perguntou à sua classe, no primeiro dia de aulas, o que queriam os meninos e as meninas ser se não fossem pessoas, a grande parte das respostas não a surpreendeu. Mas, entre os dinossauros e os gatos, os comboios e as bonecas, as fadas e os gaviões, houve uma menina pálida e tímida que escolheu ser uma alga. A professora sorriu perante a ideia da pequena aluna querer ser, entre as hipóteses permitidas pelos seus seis anos de vida, um vegetal singelo que voga sem vontade ou malícia no oceano e, incapaz de se contentar com a poesia que lhe via, perguntou à menina porque tinha respondido assim. Logo percebeu que não o devia ter feito.
Freak show
Tal como ameacei há dias, eis as fotos da minha Euphorbia mammillaris em flor:





Da primeira vez que vi surgir, na minha própria marquise, semelhante freak show vegetal, com flores a nascerem na ponta de «espinhos» (na realidade são moles) de uma planta que se faz passar por cacto (na realidade é uma euforbiácea), fiquei bastante chocado, mas hoje encaro tudo isto com naturalidade e, após meses de terapia, já consigo tratar esta planta como apenas mais uma entre tantas.

Se não houver surpresas, a próxima a florir será a Mammillaria magnimamma (1. não, eu não invento os nomes; 2. não, eu não as escolhi pelos nomes; simplesmente aconteceu assim), lá mais para Maio. Aguardai, portanto, sentados e sentadas.
Terapia de substituição
Mas o mais importante para mim é que o Senhor Arquitecto saiba do apreço que eu tenho pelo Senhor Arquitecto. Que é uma honra conhecer o Senhor Arquitecto, que é uma honra ainda maior que o Senhor Arquitecto me conheça a mim e que é uma honra quase grande demais para o meu pequeno coração que o Senhor Arquitecto me reconheça e admita em sua casa. Quero que o Senhor Arquitecto saiba que eu acho que o Senhor Arquitecto é um grande arquitecto. E não sou só eu que o acho. Por exemplo, ainda ontem ouvi o [nome omitido] a dizer muito bem do Senhor Arquitecto. E soube por várias pessoas que a [nome omitido] diz que o Senhor Arquitecto é muito melhor arquitecto que o [nome omitido]. Eu, pela minha parte, e espero que não considere isto um abuso, fico muito orgulhoso quando as pessoas falam bem do Senhor Arquitecto, que é o que as pessoas fazem sempre que falam do Senhor Arquitecto, e eu tenho oportunidade de lhes dizer que conheço pessoalmente o Senhor Arquitecto. É que o facto de conhecer pessoalmente o Senhor Arquitecto dá-me oportunidade de me orgulhar a toda a hora e em todo o lugar, a torto e a direito, por tudo e por nada. Ele é quando o Senhor Arquitecto despeja por mim abaixo a imensa sabedoria do Senhor Arquitecto, ele é quando o Senhor Arquitecto chama os bárbaros à razão, ele é quando o Senhor Arquitecto passa pela rua no passo seguro do Senhor Arquitecto. E claro que também é um prazer privar, se posso dizer tanto, com o Senhor Arquitecto, aprender com o Senhor Arquitecto, ser objecto da interminável generosidade do Senhor Arquitecto, poder curvar-me ligeiramente à frente do Senhor Arquitecto quando o Senhor Arquitecto pronuncia os axiomas do Senhor Arquitecto. Assim sendo, é com alegria e entusiasmo que aceito o seu convite para ir jantar a casa do Senhor Arquitecto com o Senhor Arquitecto, a família do Senhor Arquitecto e os amigos do Senhor Arquitecto. Levarei, conforme sugeriu o Senhor Arquitecto, a minha [nome omitido], que ficou encantada por o Senhor Arquitecto, mais do que querer conhecê-la, aceitar alimentá-la. O Senhor Arquitecto não se preocupe, que a minha [nome omitido] é uma moça discreta e recatada, que come pouco e fala menos. Seja como for, se o Senhor Arquitecto por alguma razão mudar de ideias e, afinal, já não quiser que eu me faça acompanhar ao jantar em casa do Senhor Arquitecto pela minha [nome omitido], não há qualquer problema, pois ela está habituada a ficar entregue às suas coisinhas enquanto eu me entrego cegamente ao Senhor Arquitecto. Aliás, não fora o Senhor Arquitecto ter perguntado e eu jamais teria falado ao Senhor Arquitecto da minha [nome omitido], quanto mais alguma vez imaginar levá-la a casa do Senhor Arquitecto, ainda por cima para comer. Para falar a verdade, manter a minha [nome omitido] dá-me algum amparo, o Senhor Arquitecto sabe como é, evita que me faltem aquelas pequenas coisas intangíveis que quando faltam aos homens os deixam incompletos, incumpridos, mas quem realmente me provoca arrepios pela espinha acima e abaixo (estes últimos são os melhores), em quem eu penso quando estou sozinho sem nada para fazer, ou quando a minha [nome omitido] está a falar, é no Senhor Arquitecto, nas palavras bem articuladas do Senhor Arquitecto e nas palmadinhas nas costas que o Senhor Arquitecto me dá quando está todo contente. Mas isto não interessa nada, isto sou eu só a fazer conversa para que o Senhor Arquitecto saiba a alta estima que eu tenho pelo Senhor Arquitecto. O que interessa é que lá estarei, estaremos, em casa do Senhor Arquitecto no próximo sábado, e que agradeço, agradecemos, extasiados, o convite do Senhor Arquitecto, que muito nos honra, Senhor Arquitecto.
No torpor do desterro


A minha Mammillaria microhelia era, quando a comprei, em 2000, num Lídele de uma zona desvalida da Área Metropolitana do Grande Porto, um pequeno e divertido cacto colunar que se destacava pelos seus bonitos espinhos vermelhos escuros e amarelos. Hoje, passados que estão oito anos, e conforme se pode ver pela imagem anexa, transformou-se numa obscenidade fálica, incestuosa e promíscua que produz largas dezenas de flores quando chega à época apropriada – e a época apropriada é agora. No Verão, quando o calor a liberta do torpor do desterro no clima mediterrânico, ergue-se e gira em busca do Sol, abalroando tudo o que lhe aparece à frente, voltando depois, durante a noite, à posição acima documentada. Tratando-se de um cacto relativamente volumoso e generosamente artilhado, que, para mais, vegeta num espaço densamente povoado por outras plantas, isto constitui um problema de gravidade média-alta. O ano passado, durante uma dessas erecções-incursões, danificou-me a Crassula muscosa, uma suculenta frágil e inerme, com cujas insignificantes inflorescências invernais optei por não vos importunar. A próxima a florir — e já se está a preparar — é a pitoresca Euphorbia mammillaris, de que em breve vos darei notícia.
Quá-quá
Eu odeio, mesmo que temporariamente, as pessoas dizem «quê de cão». Ou «cê de sino». Ou, pior ainda, «quê de quá-quá». Fico com umas ganas que, se concretizadas, teriam gravidade suficiente para dar lugar ao arquivamento de um processo judicial daqui por dois ou três anos. O pior de tudo é quando são professores/as do primeiro ciclo do ensino básico a dizê-lo, provavelmente para que as letrinhas — que são tantas, tantas — não baralhem as cabecinhas pequeninas das criancinhas. Gostava de lhes perguntar se porventura dirão, quando a ocasião a tanto se preste, «quê de cão ó dois». Ou se gostariam de ser megulhados/as em «agá dois cê de sino ó quatro».

Um conjunto de decisões sensatas e inteligentes por parte de quem trata dessas coisas da classificação periódica dos elementos (deve ser uma Direcção-Geral qualquer) deixou-nos sem exemplo para o terceiro caso atrás enunciado, impossibilitando-nos de continuar este texto. Pelo facto, etc.
Músculo
«Não é do não ter como declinar mais esta desinência, a que a moderna medicina, encoberta pelos números da bondade, novamente me condena, que surge o impulso de lhe escrever. Faço-lhe a justiça de imaginar que nem concebesse essa possibilidade, pois parece-me seguro presumir que não poderia esquecer, entre os tantos factos iludidos sobre os quais caminhou uma vida, a minha vocação pedagógica. Eu, solitário, dela dependo na grande batalha contra os rastos de dor em que a conjura dos néscios me transforma as palavras; alguns, vis, chamam-lhe presunção de uma imortalidade a que jamais acederei; outros, sagazes, nela percebem a munificência que viverá nos corações de quantos se deixaram tocar, e que é, perante a substância que se esvaece, tudo o que posso render. O que aqui me traz, como neste momento, senão antes, já certamente alcança, é, pois, repousar-lhe o espírito, visto que, quanto à paz do seu músculo cardíaco, nada posso ou tenho o ensejo de fazer: aos finados, mesmo quando suicidas, apenas há que velá-los e devolvê-los ao pó. E se a este último ritual me vi impedido de assistir, por o seu corpo estar vivo para outros, ao segundo procedi com desvelo, conforme me cumpria, na ocasião que o tempo, generosamente, para tal criou. O que me traz até si, por uma derradeira vez, é, em suma, anunciar-lhe que o perdão, cujo pedido a sua fraca vontade foi, até hoje, incapaz materializar, jamais lhe será outorgado.»

Excerto de Opúsculos e Epístolas do Marquês de Escarafuncheira,
a publicar brevemente em edição (póstuma) de autor
Gúglame, gúglame mucho, como si fuera esta busca la última vez
Indiferente à minha indiferença, a blogosphera continua a encadear-me (e a encandear-me, também, evidentemente). Desta vez é o Senhor dos Anagramas – só eu é que ainda não tive direito a um – que me quer ver as doze palavras favoritas. Porquê? Para quê? Não sei, não me interessa e não acho a menor piada. Mas como já tinha feito a lista das minhas treze palavras favoritas, num workshop de sexo postal a que fui o ano passado entre internamentos, é só tirar uma e já está. Ei-las, pois, por ordem alfabética:

Amígdala
Gengiva
Labial
Língua
Mandíbula
Maxilar
Mucosa
Palatino
Papila
Salivar
Úvula
Weltanschauung

Como é óbvio, não irei passar isto a mais ninguém. Não vou deitar abaixo o que me custou anos a conquistar, e de que, ainda por cima, dependem milhões de inocentes, por causa desta parvoíce, se me permitem a franqueza. E mesmo que não permitam. Estou-me nas tintas. Ai, desculpem lá. Sue me e não sei quê, ou lá como é. Facofe.
Acreditas no amor?
O que querem saber as pessoas que perguntam «acreditas no amor?» quando nos perguntam «acreditas no amor?» Se acreditamos que ele existe, como quando se pergunta «acreditas no deus Jeová?» Se acreditamos nas suas propriedades, como quando se pergunta «acreditas no cloridrato de trazodone?» Se acreditamos no que ele, o amor, supostamente diz, como quando se pergunta «acreditas na Sandrine, essa vaca mentirosa?» Ou não querem saber nada, estão só a fazer conversa, ouviram aquilo algures e agora repetem acriticamente? Ou será que essas pessoas são só maluquinhas e até deveríamos estar agradecidos por não lhes ter dado para pior? Seja como for, não faço ideia de como responder, caso alguma vez me façam essa pergunta, coisa que, felizmente, ainda não aconteceu.
Hemofilia
Sou absolutamente sincero quando digo que ainda bem que vai ser uma menina. Talvez assim seja interrompida a maldição que tem vindo a trepar pela árvore genealógica acima, desde tão lá atrás quanto a oralidade intoxicada consegue ir. Cada novo homem, cada nova desgraça: gente folgazona e divertida, mas pouco séria e muito dada ao logro. Com as poucas mulheres que foram pontuando a descendência, veio sempre o que a família tem de bom. É uma espécie de hemofilia, mas para a filha da putice.

E é por isso que estou contente por ser uma menina. Se a sorte se mantiver, a menina herdará o bom sangue que tem passado pelos homens como cão por vinha vindimada, ou esquivar-se-á dela o mau sangue que a eles se tem agarrado, e, os astros assim o obrem, também só há-de me dar netas, para que eu não seja nunca posto perante a provação de ver o meu negócio, e da minha ascendência, trespassado para a minha descendência. É como vos digo: um rapaz viria seguramente a ser mais um dos que, sem grandes pejos, foderia quem e com quem lhe aparecesse à frente.

Quem e com quem. Quem e com quem? Quando não se olha a quem o quem deixa de ser quem para passar a ser quê. Já não tem propriamente um nome, se é que alguma o teve sem ser propriamente. Só teve um rosto interino, uma presença útil. Só teve o que quer que fosse de necessário para cumprir a sua função. Ou seja, não teve nada que valha a pena recordar. Ou que se deva recordar, o que vai dar mais ou menos ao mesmo. Por isso, ainda bem que vai ser uma menina. Deposito nela grandes esperanças quanto ao meu bem-estar emocional.
A outra banda
Depois de ter sido envolvido num estranho caso de aparente sabotagem de um operador de telecomunicações por parte de outro que me deixou sem ligação à internet durante quase duas semanas (caso ainda assim insuficiente para comever a ANACOM, que se pôs ao fresco com uma carta que um dia ainda hei-de emoldurar), vejo-me agora a braços com o Marsupial, que padece de um problema bastante usado por estas paragens: presta um serviço indigente.

Perante a crescente má qualidade da ligação, que é já, por vezes, difícil de distinguir de uma ligação de banda estreita, resolvi contactar o serviço telefónico de apoio ao cliente, que, graças a alguém lá em cima (Matosinhos, creio), é gratuito. Por enquanto. Dantes era 24 horas por dia, agora já é só das 8 às 2. Ou seja, um dia destes vai-se.

Expliquei a situação, referi que já me tinha queixado várias vezes, que me diziam sempre que estava tudo muito bem, mas que a qualidade do serviço continuava a degradar-se, estando já muito abaixo do mínimo admissível.

Afastada a possibilidade de intervenção maligna de software indesejado, fui orientado para um teste de qualidade da ligação que o Marsupial tem agora disponível na «área pessoal» do seu sítio electrónico.

Efectuei o teste e fui informado de que a velocidade a que as coisas corriam era escandalosamente abaixo do anunciado para a minha zona. Esse pormenor foi, no entanto, considerado «perfeitamente normal dadas as características do serviço», pelo que não havia matéria para reportar anomalia alguma.

Consegui controlar eficazmente a vontade de proferir a longa e expressiva sequência de adjectivos que me ocorreu para definir as «características do serviço», agradeci imenso a ajuda, despedi-me e redigi uma reclamação, que enviei de imediato para a morada de correio electrónico profusamente anunciada no sítio do Marsupial e por uma voz simpática que nos acompanha ao longo das intermináveis esperas a que o serviço telefónico de apoio ao cliente nos sujeita, juntamente com aquela cançãozeca de uma banda nórdica de septuagésima categoria que vive de imitar os Cure na sua fase piorzinha e que a Vómitus resolveu utilizar na sua mais recente campanha publicitária, aquela da nhanha cor-de-laranja, perdão, «magma».

Passados uns minutos, recebi uma resposta automática que me informava de que não deveria contactar o Marsupial através daquela morada profusamente anunciada no sítio electrónico do Marsupial e no serviço telefónico de apoio ao cliente do Marsupial, mas sim através de um formulário presente no sítio electrónico do Marsupial.

Dirigi-me à página onde está o formulário e constatei que este só aceita reclamações com um máximo de quinhentos caracteres.

Perante a irredutível verbosidade da minha reclamação, que tinha, nesse momento, quase quatro mil caracteres, vi-me forçado a telefonar novamente para o serviço de apoio a clientes. Esperei vinte minutos para ser atendido, tempo durante o qual pude ouvir novamente a simpática voz a anunciar repetidamente a morada de correio electrónico para a qual, afinal, não devemos escrever. Isso e a tal musiquinha irritante.

Quando finalmente fui atendido, expliquei mais este problema com que me tinha deparado. Puseram-me em espera mais uns minutos, após o que lá fizeram o favor de me dar outra morada de correio electrónico, que, tanto quanto percebi, não está anunciada em parte nenhuma, mas para a qual vale a pena escrever. Aproveitei para acrescentar um parágrafo (ultrapassei ligeiramente os cinco mil caracteres, ou seja, dez vezes mais que o permitido pelo formulário) a reclamar contra as dificuldades em reclamar.

Aguardo. As expectativas não são grandes.
Memória musical convocada por Barack Obama
«During his freshman year at Occidental, Obama and his dormitory mates would congregate around a couch in the hallway of their floor while stereos blasted songs by bands like The Rolling Stones, Led Zeppelin, The B-52's and The Flying Lizards. The conversations at Haines Hall revolved around such topics as the Soviet Union's invasion of Afghanistan that year, President Jimmy Carter's proposed revival of draft registration and the energy crisis.»



We were at a party
His ear lobe fell in the deep
Someone reached in and grabbed it
It was a rock lobster

Rock lobster
Rock lobster

We were at the beach
Everybody had matching towels
Somebody went under a dock
And there they saw a rock
It wasn't a rock
It was a rock lobster

Rock lobster
Rock lobster

Motion in the ocean
His air hose broke
Lots of trouble
Lots of bubble
He was in a jam
Was in a giant clam

Rock, rock
Rock lobster!
Down, down

Underneath the waves
Mermaids wavin'
Wavin' to mermen
Wavin' sea fans
Sea horses sailin'
Dolphins wailin'

Rock lobster
Rock lobster

Rock lobster
Rock lobster

Red snappers snappin'
Clam shells clappin'
Muscles flexin'
Flippers flippin'

Rock, rock
Rock lobster!
Down, down

Lobster
Rock
Lobster
Rock

Let's rock!

Boy's in bikinis
Girls in surfboards
Everybody's rockin'
Everybody's fruggin'

Twistin' 'round the fire
Havin' fun
Bakin' potatoes
Bakin' in the sun

Put on your noseguard
Put on the lifeguard
Pass the tanning butter

Here comes a stingray
There goes a manta-ray
In walked a jelly fish
There goes a dogfish
Chased by a catfish
In flew a sea robin
Watch out for that piranha
There goes a narwhal
Here comes a bikini whale!

Rock lobster
Rock lobster
Rock lobster
Rock lobster


           The B-52's, «Rock Lobster»
Lavar e durar
Parece que sim, que é verdade que os chópingues à estadunidense começaram a morrer no local que os fez nascer. Terá começado a dar-lhes a solipanta no final da década passada, altura em que começaram a deslizar para dentro da mesma sorte que lhes levou os antecessores. Isso quer dizer que, por cá, ainda se aguentam mais vinte ou trinta anos sem problemas: o Atlântico é difícil de atravessar pelo vírus dos centros comerciais, que não gosta do ar rarefeito e das hospedeiras antibióticas da aviação de longo curso, nem da humidade dos contentores a cargo da marinha mercante com pavilhão do Panamá. Mas vinte ou trinta anos é pouco. Se o meu organismo não se distrair dos números oficiais da esperança média de vida para os homens portugueses, daqui a vinte ou trinta anos ainda cá estarei para lavar e durar. E isso torna tudo muito mais complicado.
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Lume brando
A Associação Portuguesa de Pais e Amigos das Crianças Abusadas pelos Pais e Amigos (APPACAPA) promove, hoje às 21:30, no Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Escarafuncheira, uma conferência subordinada ao tema «Alcançar o sucesso nesta vida através da autodegradação física e emocional», que contará com a presença de diversos especialistas nacionais e estrangeiros encapuzados. Graças às esmolinhas das velhinhas, haverá vitualhas no após.
Elos
— É grandeza.
— É mesquinhez.
— É grandeza...
— Não é nada, é mesquinhez.
— Não digas disparates, é grandeza.
— Desculpa, é mesquinhez.
— Mas qual mesquinhez, pá, é grandeza.
— Grandeza? Aquilo? É mesquinhez!
— Não é nada, é grandeza...
— É mesquinhez e da grande!
— Hmmm.
— É.
— Não: é grandeza e da mesquinha!
— Ó pá, isso não faz sentido.
— Faz, faz.
— Não faz nada.
— Pois não. Desculpa.
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